Médica Veterinária: Anamaria Jung Vargas
Orientador: Prof. Dr. Fernando Pandolfo Bortolozzo
Co-orientador: Prof. Dr. Ivo Wentz

COMPORTAMENTO ESTRAL E DESEMPENHO REPRODUTIVO DE PRIMÍPARAS SUÍNAS SUBMETIDAS À TERAPIA HORMONAL COM ECG ASSOCIADO AO HCG

O objetivo deste estudo foi avaliar o comportamento estral e o desempenho reprodutivo de primíparas induzidas com gonadotrofinas exógenas, no período de verão. Do total das fêmeas, 427 receberam 400 UI de eCG associada a 200 UI DE hCG (PG 600) via subcutânea no dia seguinte ao desmame (T1) e 422 receberam solução salina na mesma dose e via de aplicação (T2). O diagnóstico de estro (DE) foi feito três vezes ao dia em 368 fêmeas e duas vezes nas restantes, a partir do desmame, verificando o reflexo de tolerância ao homem na presença do macho. O intervalo desmame estro (IDE) foi calculado em horas, compreendendo o período do desmame até a apresentação do estro. A taxa de detecção de estro (TDE) foi avaliada até o 10º dia após o desmame. Em 75 fêmeas de cada tratamento, nas quais foram realizados três diagnósticos de estro por dia, foram submetidas a ultrassonografia em tempo real três vezes ao dia, a partir do início do estro, para diagnosticar o momento da ovulação (MO). Com essa mesma freqüência foi detectado o final do estro para verificar a duração do estro (DUE). As fêmeas eram inseminadas conforme o protocolo adotado na granja.

O delineamento experimental foi completamente casualizado. Para a taxa de parto (TP) foi efetuado o cálculo ajustado (TPA), sendo excluídas as fêmeas descartadas por motivos não reprodutivos. Os nascidos totais (NT) incluiu o somatório dos leitões nascidos vivos (NV), natimortos (NM) e mumificados (MM). Foram considerados no modelo o efeito do tratamento, da DL, do ECV, da ET e suas interações. Como não houve significância do efeito das interações, foram retiradas do modelo estatístico. O IDE, a DUE, o MO, NV e o NT foram submetidos a uma análise de variância utilizando o procedimento GLM do pacote estatístico SAS. Foram utilizadas as opções LSMEANS e o Teste "T" de Student para a comparação entre as médias. Para a TDE, taxa de retorno ao estro (RE), taxa de prenhez (TPE) e TPA foi realizado o procedimento quiquadrado. A Tabela 1 mostra as médias de IDE das porcas nos dois tratamentos.

Nota-se que as fêmeas induzidas hormonalmente (T1) apresentaram um IDE significativamente inferior (P menor 0,01) comparadas às fêmeas controle, apresentando uma redução de 14,4 horas, em média. A percentagem de fêmeas que apresentaram estro até os 10 dias após o desmame (TDE) diferiu significativamente (P menor 0,01), sendo maior para as fêmeas do T1, demonstrando a eficiência do uso estratégico de gonadotrofinas exógenas em acelerar o retorno ao estro após o desmame. Das porcas que não manifestaram estro até 10 dias após o desmame, 79% (n= 94) eram do grupo controle e 21% (n= 25) do grupo tratado hormonalmente. Os dados de DUE (P = 0,08) e MO (P = 0,12) não diferiram significativamente entre os tratamentos, demonstrando que o efeito do hormônio não altera esses parâmetros, ou seja, o estro natural e o induzido possuem características semelhantes. Não houve influência do IDE sobre a DUE e o MO, nos diferentes tratamentos (P menor 0,01). A taxa de RE não diferiu significativamente entre os grupos (P= 0,60). Das fêmeas cobertas, 90,9% do T1 e 92,8% do T2 estavam prenhes, sem apresentar diferença estatística entre os grupos (P= 0,37). A TPA não apresentou diferença significativa entre os tratamentos (P= 0,32). O número de leitões NV diferiu significativamente entre o grupo tratado e o controle (P= 0,06), onde as porcas induzidas hormonalmente pariram, em média, 0,7 leitões a mais. O NT foi significativamente superior para o T1 (P= 0,01), com uma média de 0,9 leitões a mais do que o grupo controle. O uso de eCG associada ao hCG em primíparas não afetou o comportamento estral, a taxa de RE, a TPE e a TPA. Entretanto a TDE aumentou no grupo tratado, com conseqüente redução no IDE. O número de leitões NV e o NT no parto subseqüente ao tratamento hormonal foi significativamente maior no grupo tratado hormonalmente.

Tabela 1: Taxa de detecção de estro (TDE) até 10 dias após o desmame, intervalo desmame estro (IDE), duração do estro (DUE), momento da ovulação (MO), taxa de retorno ao estro (RE), taxa de prenhez (TPE), taxa de parto ajustada (TPA), leitões nascidos vivos (NV) e nascidos totais (NT) para os diferentes tratamentos (T): T1 (aplicação de eCG associada ao hCG) e T2 (controle).

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