Médico Veterinário: Luís Gustavo Schneider
Orientador: Prof. Dr. Fernando Pandolfo Bortolozzo
Co-orientador: Prof. Dr. Ivo Wentz
NATIMORTALIDADE SUÍNA EM GRANJAS INDUSTRIAIS

Distribuição, Qualidade dos Registros do Parto e Causas Associadas à Natimortalidade Pré-parto, Intraparto e Pós-nascimento

O objetivo do presente estudo foi analisar aspectos ligados à natimortalidade de leitões em granjas de suinocultura industrial. No total observaram-se 908 partos em 6 granjas. Em cada unidade os partos foram acompanhados em um período médio de 2 semanas, observados nas 24h do dia. Todos os leitões paridos no período de observação foram identificados como fetos mumificados (MUM), natimortos (NAT), leitões nascidos vivos e totais. Os leitões NAT foram necropsiados e classificados como NAT pré-parto (PP), NAT intraparto (IP) e NAT pós-nascimento (PN).

As variáveis coletadas nos partos observados foram: ordem de parto; duração da gestação; escore corporal visual ao início do parto; duração do parto; tamanho da leitegada; funcionário que atendeu o parto; pressão de assistência ao parto; temperatura no interior da sala de parto ao início do parto e genética da fêmea. Em 4 granjas, ao final do parto obtiveram-se os registros dos fetos MUM, leitões NAT e vivos segundo os funcionários atendentes do parto para a posterior comparação com os resultados obtidos segundo a análise observacional. A análise estatística processou-se através do estudo das diferenças observadas nos escores médios dos rankings, para as variáveis respostas PP, IP, PN e NAT segundo as diversas categorias das variáveis coletadas através do teste não paramétrico de Wilcoxon, sendo as diferenças testadas pelo teste de Kruskal-Wallis.

As médias das diferenças entre os registros quanto aos fetos MUM, leitões NAT, vivos e totais, efetuados pelos funcionários e análise observacional, durante o período de estudo, foram comparadas pelo teste "t" para amostras pareadas. Do total de fêmeas observadas (n= 908), aproximadamente 47% dessas pariram na ausência de NAT e apenas 24,1% das matrizes, as quais apresentaram 2 ou mais NAT ao parto, foram responsáveis por 69,5% da natimortalidade. Quanto ao momento da morte dos leitões NAT nas 6 granjas estudadas, a natimortalidade PP variou de 9,1 a 39,1%, a IP de 51,2 a 77,3% e a PN de 8,1 a 19,4%. As variáveis que influenciaram a natimortalidade (PP, IP, PN e NAT) foram a ordem de parto, o tamanho da leitegada e o funcionário atendente do parto.
As fêmeas de ordens de parto maior que 5 apresentaram uma maior ocorrência de NAT que nas demais categorias de ordem de parto. A ordem de parto influenciou a natimortalidade IP, PN e NAT (P menor que 0,05). Da mesma forma, leitegadas com mais de 12 leitões nascidos totais apresentaram uma maior natimortalidade que leitegadas com menos de 12 leitões. O tamanho da leitegada foi capaz de influenciar a natimortalidade PP, IP, PN e NAT (P menor que 0,05). O funcionário atendente do parto influenciou a natimortalidade IP e PN (P menor que 0,05). Quanto aos erros de registros, observou-se que os fetos MUM e leitões nascidos totais foram os que apresentaram maiores falhas de anotações, sendo as diferenças significativas em todas as granjas estudadas (P menor que 0,05).
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