Síndrome hemorrágica intestinal e outras patologias hemorrágicas do sistema digestivo dos suínos

Ricardo L. Pierozan, Tânia A. Coutinho, Luis Eduardo RAzia e David E. Barcellos

As manifestações clínicas que cursam com hemorragias no trato digestivo (ou digestório) em suínos surgem acompanhadas por perdas econômicas, em maior ou menor grau. Embora alguns dos agentes causadores dessas manifestações clínicas sejam raramente detectados pelos Veterinários, deve ser buscado em todos os casos um diagnóstico precoce, reduzindo assim gastos com medicamentos ou piora na eficiência da conversão alimentar dos animais. O sistema digestivo não deve ser considerado isoladamente. Ele interage com os sistemas nervoso, circulatório, endócrino e imune. A inervação simpática dos vasos sangüíneos na submucosa regula o fluxo sangüíneo.

A perfusão dos vasos da parede intestinal transporta oxigênio para os enterócitos e fornece energia para o transporte ativo de nutrientes e eletrólitos. Esse sistema, sendo exposto ao meio exterior, entra em contato com um grande número de agentes infecciosos, potencialmente prejudiciais ao animal. Para ocorrer a necessária proteção, existe uma série de mecanismos, como a presença de muco em que se concentram imunoglobulinas e enzimas, que podem neutralizar toxinas e eliminar os microrganismos através do peristaltismo. Os enterócitos funcionam como uma barreira física à passagem de macromoléculas e microrganismos. O intestino possui ainda órgãos linfóides próprios, especializados em produzir respostas imunológicas humorais e celulares.
Uma forma particular de hemorragia intestinal cursa com morte súbita e, na necropsia, a parede do intestino delgado apresenta-se hemorrágica. Na maioria dos casos, observa-se uma torção na raiz dos vasos do mesentério. Essa patologia representa em nosso meio aproximadamente metade das mortes que ocorrem na fase de terminação, daí a sua enorme importância econômica. Essa revisão abordará essa e outras causas de diarréias hemorrágicas em suínos, com ênfase no diagnóstico diferencial e no controle.

SÍNDROME DA DISTENSÃO INTESTINAL SUÍNA (SDI) ou SÍNDROME HEMORRÁGICA INTESTINAL (SHI)

Essa é a forma de hemorragia intestinal mais comum em nosso meio. Sua etiologia é múltipla e vários fatores com ela relacionados ainda não estão esclarecidos. A maioria dos casos parece estar relacionada com variáveis ligadas à alimentação. Os sinais clínicos podem se manifestar entre meia a uma hora após as refeições e com o uso de qualquer tipo de alimento. Entretanto, a incidência tem sido maior após um período de restrição alimentar. A Síndrome também tem sido chamada de Vólvulo, Síndrome do Intestino Hemorrágico e Torção do Mesentério, afetando animais de 2 a 5 meses de idade. A morbidade estimada, as taxa de mortalidade e letalidade e a duração da doença dependem da freqüência e acuidade das observações, da acurácia do diagnóstico e da detecção precoce dos sinais clínicos.

Vulgarmente, a patologia também é chamada de "Doença da Segunda-Feira", deixando evidente a ligação do problema à carência ou piora na qualidade da mão de obra, comum nos fins de semana. Uma possível explicação seria a redução do número de arraçoamentos, o que gera um jejum forçado e uma ingestão de alimento muito rápida e voraz quando do reabastecimento irregular (infreqüente) dos cochos. Isso predispõe à mudança de posição das alças intestinas, levando ao acidente vascular.
Caracteristicamente ocorre morte súbita, sem sinais clínicos anteriores. Esses, quando presentes, iniciam pela redução ou perda do interesse em se alimentar, um pequeno desconforto e abdômen suavemente distendido. Alguns animais ficam impacientes, com os membros esticados, permanecem nos lugares mais frios da baia, demonstram relutância para se mover e preferência para estar em posição de "cão sentado". Dificilmente estas manifestações clínicas são percebidas ou associadas a SDI, a menos que a doença tenha iniciado no momento em que os animais estavam sendo observados.
Em uma minoria dos casos, a condição pode persistir por algum tempo, antes dos animais começarem a melhorar, indicando que a morbidade e a taxa de recuperação podem ser mais altas do que o registrado em outros trabalhos. Na maioria das vezes, a doença progride para distensão abdominal, que pode ser acompanhada por extremo desconforto, resultando em agitação e inquietação. Esses sinais clínicos podem progredir para dispnéia, rolagem de um lado para outro, ocasionalmente com grunhidos de sofrimento, "gritos de pânico" e, finalmente, a morte. Essa aparentemente ocorre devido à asfixia pela inabilidade de respirar, em função do aumento da pressão abdominal (Buddle e Twomey, 2002). Os suínos mortos apresentam a carcaça pálida e o abdômen distendido. A distensão é mais visível quando o animal já está morto. Na abertura da carcaça, as alças intestinais apresentam-se cheias de gases, avermelhadas, sob condições de pressão e, ao corte, podem provocar um zunido pela saída dos gases. A cavidade abdominal pode conter líquido seroso e, às vezes, sanguinolento.

A torção de quase toda a massa intestinal pode ser considerada como característica da SDI, sendo um achado muito freqüente. Sugere-se que, pelo menos em alguns casos, ocorra logo antes da morte, influenciada pelos movimentos violentos de agonia, que podem ser suficientes para desencadear a mudança na posição das alças intestinais. Dessa forma, a torção pode ser a causa ou ocorrer como um acidente vascular secundário no curso da SDI. Isso implica em dificuldade no diagnóstico entre os casos primários de torção e as outras doenças hemorrágicas do trato gastrintestinal (Buddle e Twomey, 2002).

Na necropsia, especialmente se o animal estiver deitado no mesmo lado que a torção, a lesão pode passar desapercebida, porque a pressão intra-abdominal força os intestinos para fora do abdômen, dificultando a visualização da posição da víscera. Pode até ocorrer uma situação em que a víscera venha a se apresentar, num exame realizado de maneira superficial, numa posição aparentemente normal. A apresentação necroscópica mais freqüente é a de carcaça pálida, abdômen distendido e avermelhamento das alças intestinais após a incisão da parede abdominal. Muitas torções estão na direção horária (anti-horária quando o animal está sendo aberto em decúbito dorsal) e estão aproximadamente a 180º da sua posição original, embora variem entre 90º a 360º (Figura 1).

A segunda forma mais freqüente de hemorragia intestinal em animais de terminação em nosso meio é a Enteropatia Proliferativa Hemorrágica Suína (EPH, causada pela forma de infecção aguda pela Lawsonia intracellularis). Além de concentrar a ocorrência de casos tipicamente em animais apenas na fase final da terminação ou em leitoas de reposição, no caso da EPH costuma ocorrer presença de sangue coagulado apenas na parte terminal do intestino delgado (íleo), com acúmulo desse sangue no intestino grosso. O exame da mucosa pode demonstrar a presença de ulcerações no intestino delgado no caso da EPH. O teste definitivo para diferenciar estas duas doenças é através da histopatologia de uma porção do íleo terminal ou de outras áreas lesionadas do intestino.

Existem evidências clínicas e patológicas de que fatores que venham a causar o aumento da produção de gases no intestino, especialmente no cólon, podem predispor à SDI. Um desses possivelmente seria a má digestão de determinados componentes da dieta, o que permitiria a fermentação do substrato, gerando excessiva produção de gás, especialmente no cólon, causando distensão e alargamento do intestino. Geralmente a distensão abdominal é vista após uma grande e rápida ingestão de alimento, como no caso em que existe a mistura de soro de leite com a ração. Embora a prevalência da SDI seja mais alta em suínos que se alimentam com soro, também tem ocorrido com ração líquida a base de água e, algumas vezes, com ração seca.

Uma hipótese para explicar o rápido desencadeamento dos sinais clínicos seria a ingestão excessiva e voraz de líquidos ou ração, fatores que interferem diretamente com a motilidade gastrintestinal. Acidentes com as vísceras abdominais, tal como a torção gástrica, torção esplênica, torção do fígado e vólvulo de uma porção do intestino delgado, parecem ser precipitadas quando os suínos tornam-se excitados com a espera do alimento, especialmente se há uma mudança na ordem, modo e freqüência de arraçoamento. Rigorosos exercícios físicos após a alimentação, excesso de ração ou água ingeridas de uma só vez, também predispõem à ocorrência da SDI.
Outra possibilidade para explicar o quadro seria um choque endotóxico, seguido pelo aumento da permeabilidade na parede das alças intestinais e um afluxo de bactérias Gram-negativas.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

As seguintes doenças intestinais cursam com lesões hemorrágicas na mucosa intestinal, capazes de ser confundidas no exame necroscópico com as da SDI. A seguir, cada uma delas será revisada.

1. FORMA AGUDA DA ENTEROPATIA PROLIFERATIVA SUÍNA (ENTEROPATIA PROLIFERATIVA HEMORRÁGICA, EPH)

A doença é causada pela infecção pela Lawsonia intracellularis. Ocorre de forma aguda (hemorrágica) principalmente nas fases de recria e terminação ou em leitoas de reposição, com até 8 meses de idade(Figuras 2 e 3). Geralmente estão envolvidos rebanhos de animais de alto padrão sanitário, manifestando diarréia hemorrágica e morte súbita. O período de incubação é de 10 a 21 dias e se deve principalmente à mistura de lotes e ao estresse do transporte. As granjas GSMD (granjas de suínos com mínimo de doenças) apresentam a doença com maior freqüência. A mortalidade fica em torno de 4 a 7% e se deve a uma intensa reação imunológica que desencadeia o vazamento de capilares sangüíneos, levando à hemorragia.

2. Úlcera gástrica

Geralmente acomete a região aglandular (cárdica) do estômago dos suínos. Podem ocorrer hemorragias gástricas, assim como anemia e melena. As fezes não se apresentam necessariamente diarréicas. O aspecto tende a ser escuro (achocolatado), devido à prévia digestão do sangue exposto ao trato digestório. O tipo de alimentação, assim como o tamanho das partículas das rações, podem influir significativamente na incidência desse tipo de problema.

3. Desinteria suína

Ocorre normalmente no período compreendido entre 8 e 14 semanas de idade, principalmente em animais alimentados com rações sem a suplementação de antimicrobianos. É causada pela Brachyspira hyodysenteriae, espiroqueta que coloniza o ceco e cólon de suínos. As paredes do intestino grosso e o mesentério tornam-se hiperêmicos, às vezes hemorrágicos e edemaciados. Normalmente nesse tipo de infecção observa-se uma quantidade aumentada de muco e, menos freqüentemente, presença de sangue nas fezes.

4. Aflatoxicose

Trata-se de uma doença hemorrágica relacionada com a ingestão de toxinas produzidas por fungos do gênero aspergillus. Pode ocorrer de forma aguda ou crônica, assemelhando-se à intoxicação por warfarina. Quadros de anemia com presença de sangue nas fezes são comuns nesse tipo de intoxicação. As alterações hepáticas na necropsia são de grande utilidade ao diagnóstico diferencial com as outras patologias que cursam com hemorragia intestinal em suínos. Para o controle, recomenda-se basicamente a suspensão do uso de rações ou matérias primas contaminadas com as aflatoxinas. É indicado também um tratamento de suporte com vitamina K, assim como o cuidado com possíveis sangramentos nos locais de aplicação de injeções.

5. Intoxicação por dicumarínicos

Intoxicações por dicumarínicos podem ocorrer acidentalmente, em episódios esporádicos. O quadro caracteriza-se por hemorragias generalizadas, visualizadas não apenas nas fezes, devido à depressão na ação da protrombina. A temperatura retal dos animais afetados pode estar normal ou levemente diminuída. Os sinais clínicos visualizados se assemelham aos surtos de aflatoxicose. O tratamento deve ser realizado o mais breve possível, com vitamina K injetável.

6. Enterite por escherichia coli

A E. coli causa com freqüência nos rebanhos brasileiros uma grande variedade de patologias intestinais, desde diarréias sem lesões histopatológicas significativas a doença do edema e formas de gastrenterite hemorrágica. Esta última patologia costuma ocorrer no período pós-desmame, estabelecendo-se com grande rapidez. Casos de morte súbita podem ocorrer, sendo mais comumente observados sinais de enterite catarral com diarréia fluida, amarelada e, ocasionalmente, com sangue. O controle envolve as mesmas medidas de manejo, higiene, de controle ambiental e uso de antimicrobianos que são tradicionalmente usadas para prevenir a diarréia colibacilar, muito comum em leitões de creche.

7. Salmonelose

Geralmente ocorre em leitões com 6 a 16 semanas de idade. Episódios de diarréia podem ocorrer ocasionalmente. Em especial a Salmonella typhimurium pode causar enterite aguda, septicemia e morte súbita. Casos de hemorragia no ceco foram descritos em casos de infecção por essa sorovar e pela S. dublin. As infecções por Salmonella spp. podem ser consideradas causas muito raras de diarréia hemorrágica em suínos no nosso meio.

8. Peste suína clássica e africana

Tanto na Peste Suína Clássica (PSC) como na Peste Suína Africana (PSA), a diarréia hemorrágica não é um sinal clínico característico. Entretanto, na PSA, esses quadros podem ser freqüentes, dependendo da virulência da cepa do vírus envolvida. Quadros agudos são mais comuns em animais jovens e se detecta o envolvimento de outros órgãos, além do trato digestório. Os casos de hemorragia são devidos às lesões vasculares e intensa trombocitopenia que se instala, e existem outros sinais caracterizando um quadro hemorragíparo generalizado, como manchas avermelhadas na pele e hemorragias em linfonodos e em diversas vísceras abdominais e torácicas.

9. Carbúnculo hemático (infecção por bacillus anthracis)

Os suínos são menos susceptíveis ao B. anthracis quando comparados com outros animais domésticos (como os ruminantes). Existem formas localizadas da doença (faringiana) e formas septicêmicas e intestinais. Nessa última, pode ocorrer diarréia hemorrágica. A infecção ocorre via alimento e pode afetar várias regiões do intestino. Diarréia, vômito, dor abdominal e constipação podem ser observados. Tratamentos com antimicrobianos podem ser extremamente eficientes. Mesmo assim, a detecção do agente representa um risco potencial à saúde pública.

10.Corpos estranhos

Em casos esporádicos e isolados, corpos estranhos podem ser responsáveis pelo surgimento de diarréias hemorrágicas. O atual nível de tecnificação da maior parte da suinocultura nacional faz com que tais episódios tornem-se extremamente raros. Existem relatos de necropsias em que pedaços de arame e madeira foram encontrados em animais que apresentavam sintomas de diarréia hemorrágica. O máximo cuidado deve ser tomado para que tais materiais não estejam ao alcance dos animais.

DIAGNÓSTICO DAS DIARRÉIAS HEMORRÁGICAS:

Um episódio de síndrome hemorrágica intestinal geralmente representa a ocorrência de alguma lesão suficientemente grave para ocasionar o extravasamento de sangue para a luz do trato digestório. Em granjas tecnificadas e com suficiente supervisão, tais casos dificilmente passam desapercebidos. Contudo devemos considerar que, em determinadas ocasiões, alguns animais podem ser afetados por um quadro de diarréia hemorrágica de forma pouco aparente ou mesmo subclínica.

O diagnóstico deve idealmente partir do monitoramento contínuo do rebanho. Porém, muitas vezes, a infecção vem a ocorrer, apesar dos cuidados de monitoramento. Nesse momento, existem diferentes formas de diagnóstico a ser usadas, para avaliar a extensão do problema. Inicialmente, são investigadas as características das fezes diarréicas, mortalidade, morbidade, além de efeitos negativos sobre a conversão alimentar. Pode-se ainda detectar os efeitos prejudiciais da doença sobre o modelo econômico do sistema de produção, sendo possível também determinar quanto custou ao suinocultor o surgimento da doença no seu rebanho.

É importante determinar se houve ou não o uso anterior de medicamentos, como antimicrobianos e antiinflamatórios. O comportamento da patologia após a utilização de tais produtos pode colaborar na obtenção do diagnóstico definitivo (diagnóstico terapêutico). Análises semelhantes podem ser feitas com o tipo de ração fornecida aos animais da categoria afetada. É importante que a investigação seja feita em conjunto com um nutricionista especializado, realizando uma avaliação rigorosa dos ingredientes empregados, assim como nas eventuais mudanças na formulação, granulometria e eficiência do tratamento térmico dos ingredientes que a requeiram.

Formas tradicionais (porém muitas vezes negligenciadas) de diagnóstico podem e devem ser empregadas. O envio de amostras de fezes para um laboratório especializado contribui para a determinação da causa e epidemiologia da doença. Alguns animais visivelmente afetados devem ser necropsiados, assim como 2 ou 3 cronicamente infectados, se houver. Secções do intestino delgado e grosso devem ser colhidas e conservadas em formol tamponado a 10% até a chegada ao laboratório, para a realização de cortes histológicos e visualização das eventuais lesões microscópicas. Além de usar técnicas convencionais para o diagnóstico microbiológico, técnicas avançadas como a reação em cadeia da polimerase (PCR) e a hibridização in situ já estão disponíveis e aumentam consideravelmente a acurácia do diagnóstico.
Deve-se salientar ainda que fatores ambientais, de higiene e a superlotação podem contribuir significativamente à severidade das desordens que foram descritas. A prevenção muitas vezes depende do controle dessas variáveis.

CONTROLE


No caso da SDI, a ausência de provas etiológicas específicas dificulta a tomada de decisões quanto ao tratamento, controle e prevenção. Entretanto, tomando como base as etiologias e sugestões de patogenia propostas, podem ser listadas algumas medidas de controle genéricas que são apropriadas para reduzir a produção de gás no intestino. Muitas relacionam-se com a alimentação ou maneiras de arraçoamento, e incluem:

Reduzir a fome, fornecendo alimento peletizada uma hora antes de iniciar o fornecimento da alimentação com soro ou a alimentação líquida;
Usar alimentos secos, em vez de úmidos;
Aumentar a quantidade de fibra na ração. Dietas com maiores níveis de fibras favorecem a atividade microbiana no ceco e cólon proximal, bem como aumentam a produção de metano e dióxido de carbono;
Evitar a utilização de alimentos contendo elevadas concentrações de carboidratos altamente fermentáveis;
No caso do uso da restrição alimentar, em vez de fornecer grandes quantidades de ração poucas vezes ao dia, arraçoar com pequenas quantidades e com maior freqüência. Para o controle da SDI, o ideal seria a alimentação à vontade (ad libitum);
Assegurar-se de que todos os suínos sejam alimentados regular e simultaneamente;
Fornecer a ração sempre em horários pré-definidos;
Ajustar o espaço de cocho e a quantidade de comedouros. No caso do sistema de alimentação restrita, deve-se providenciar um espaço de cocho para cada animal da baia, de modo que todos possam comer ao mesmo tempo;
Certificar-se de que todos os suínos estejam fisica e psicologicamente bem, evitando situações estressantes;
Embora o envolvimento de bactérias não tenha sido comprovado, o uso de formoldeido no soro e antimicrobianos nas rações pode ser útil. Entre os antimicrobianos, a clortetraciclina e a bacitracina de zinco foram os que apresentaram os melhores resultados na prevenção da SDI (Straw et al., 2002).

CONCLUSÃO

A suinocultura moderna está se tornando cada vez mais tecnificada. Dessa forma, os limites de tolerância para erros de gerenciamento ficam cada vez menores e se evidencia claramente uma atenuação do limite entre o sucesso e o fracasso de um negócio suinícola. As diarréias hemorrágicas possuem causas já determinadas, embora haja a contribuição de uma série de outros fatores, como tipo de manejo, nutrição e sanidade empregados no rebanho. Em particular, a torção do mesentério deve ser melhor estudada, para que seja estabelecida sua verdadeira etiologia. Dessa forma, é importante que os Veterinários venham a compreender bem as diversas variáveis envolvidas nos sistemas de produção, para poder obter um diagnóstico precoce, conseguir determinar o impacto econômico e traçar uma estratégia de controle adequada. As formas de diarréias hemorrágicas em suínos, em especial o SDI, apresentam um impacto muito significativo à sanidade suinícola, pelo alto índice de mortalidade em animais de terminação. Espera-se que com o uso das medidas de controle e prevenção listadas na presente revisão, possa ser alcançada uma redução na ocorrência desse tipo de problema.

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