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| Ocorrência
da síndrome do aborto estacional em suínos no Rio grande do
sul Wentz, Ivo; Bortolozzo, F. P.; Barcellos, D.E.S.N. INTRODUÇÃO Os abortos se constituem em causas importantes de perdas reprodutivas. Em condições normais ocorrem de maneira apenas esporádica em percentuais máximos de 1,5%. Aumentos destas taxas ocorrem em diferentes situações, sendo as causas limitadas na maioria das vezes, a doenças infecciosas como Leptospirose, Toxoplasmose, doença de Aujeszky e Brucelose, e, mais recentemente à Síndrome Reprodutiva e Respiratória dos Suínos. |
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Aborto na fase
fetal |
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| Entretanto, tem sido observado, consistentemente,
um aumento da taxa de abortos, que coincidem com o final do verão
e início do outono, muitas vezes associado a infertilidade de verão,
e descritos como "síndrome de abortos de outono" (1,2,3,4,5).
Em criações com monitoramento sanitário rigoroso, as
enfermidades infecciosas, poucas vezes são diagnosticadas como causa
dos abortos, surgindo como suspeita imediata, em caso de surtos, a síndrome
dos abortos de outono como a mais relevante (1,2). A princípio parece
ocorrer uma falha súbita nos mecanismos hormonais que mantém
a gestação, que culminam com o aborto (5,6). Várias
causas podem ser enumeradas, como o início de períodos noturnos
frios associados a deficiente nutrição das fêmeas (1,2,3,5),
falta ou deficiente manejo e estímulo com o macho (1,5) e situações
estressantes (1,3,4,5), do que propriamente enfermidades ou anomalias feto-placentárias
(6). Os exames sanitários correspondentes, no sentido de elucidar
os abortos, apresentam, consistentemente, resultados negativos (1,5). Neste
trabalho, são apresentados aspectos clínicos, a evolução
e medidas de controle adotadas de um quadro de abortos em diferentes Granjas
de Suínos no Estado do Rio Grande do Sul. MATERIAL E MÉTODOS Durante um período de 10 meses foram avaliados os dados referentes a abortos de quatro granjas produtoras de leitões, duas localizadas na mesma área e duas em outra região, e pertencentes à mesma empresa. O número de matrizes alojadas nas mesmas variou entre 600 a 2100. Durante os meses de Fevereiro e Março foram realizadas três visitas a cada Granja para exames clínicos, coleta de materiais para exames laboratoriais e coleta de dados para avaliação do desempenho reprodutivo. A 1a visita foi realizada em meados de Fevereiro, a 2a no início de Março e 3a em meados de Março. Baseado nos resultados obtidos, na última visita foram emitidas recomendações para o controle e posterior acompanhamento de dados do desempenho reprodutivo. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os dados referentes aos abortos nas quatro granjas, englobando os meses de Setembro a Dezembro (período anterior), Janeiro a Abril (período de surto) e, Maio e Junho (período posterior), são apresentados na Tabela 1. O problema começou a se manifestar a partir da segunda quinzena de Janeiro de 1996, estendendo-se até o mês de Março. O problema foi mais evidente nas granjas 1 e 2. As granjas 3 e 4 sempre apresentaram um percentual maior de abortos, comparadas a 1 e 2, mesmo assim, pode ser observado um aumento nos meses de Fevereiro (granja 3 e 4) e Março (granja 3). O quadro clínico foi semelhante nas quatro propriedades e as principais características foram: - Uma média de 82,1% dos casos de aborto ocorreram entre 14 a 60 dias após a cobertura, sendo a maioria desses entre 18 e 35 dias. Não foi detectada diferença entre ordem de parto; - As matrizes afetadas não apresentaram sinais de doença sistêmica, como secreção vulvar, apatia, temperatura elevada ou redução de apetite; - Os fetos abortados e suas placentas não apresentaram alterações macroscópicas; - O manejo com o macho após a cobertura e durante a gestação foi mal realizado; - A quantidade de ração oferecida às fêmeas gestantes durante os primeiros 35 dias e após até os 90 dias, foi considerado insuficiente. A partir da cobertura até os 35 dias, era fornecido 1,8-2,0 Kg/dia; a partir daí recebiam 1,8-2,2 Kg, até os 93 dias de gestação. Dessa fase até a transferência à maternidade recebiam 2,5-3 Kg/dia; - No programa de imunização do plantel, muitas fêmeas apresentaram aumentos de volume e reações dolorosas no local da aplicação da vacina, por falhas na aplicação; - Um fator estressante presente em duas granjas foi a excessiva exposição solar em algumas áreas das gestações, causando dermatites em muitas fêmeas; - Os exames sorológicos para Leptospirose, Toxoplasmose, Eperitrozoonose, Brucelose e Aujeszky apresentaram resultados negativos; - A temperatura ambiente média nessas regiões variou entre 24 e 32 (dia) e 16 a 24oC (noite). |
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| A possibilidade de realizar um diagnóstico etiológico em casos de abortos é da ordem de 30%, aproximadamente, e restrita, principalmente, a casos específicos de enfermidades que podem ser diagnosticadas através de exames sorológicos. Dos casos não diagnosticáveis, as interações ambientais, nutricionais, a genética e o manejo com o macho, e ainda no hemisfério norte, a diminuição da intensidade de luminosidade a partir do final do verão, devem ser levadas em consideração (1,2,3,5). | ![]() |
Aborto precoce na fase embrionária. |
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| Assim, vários fatores associados como
alojamento em local úmido, com maior ou menor fluxo de ar, acúmulo
de gases, aumento do catabolismo com a diminuição da temperatura
ambiente e menor aporte energético através da ração,
e, fêmeas desgastadas durante a lactação e submetidas
a restrição alimentar após a cobertura, podem atuar
sobre o organismo, promovendo a queda da resistência e criando situações
de estresse, capazes de desencadear um problema reprodutivo, descritos na
literatura como "Síndrome de Abortos de Outono" (1,2,3,4).
Wrathall (1975) sugere que, em determinadas situações, principalmente
nas infecções, lesões e inflamações,
e nos casos de estresse, o nível de prostaglandinas pode estar elevada
na circulação, ocasionando distúrbios reprodutivos
pela ação das mesmas sobre o corpo lúteo e, consequentemente,
sobre o nível de progesterona. As características clínicas do problema descrito são similares às da "Síndrome do Aborto de Outono" do hemisfério norte (existia coincidência de época do ano descrito na literatura, deficiente alimentação na fase inicial de gestação e não contato com o macho nessa fase). Como medidas corretivas foram sugeridas: a) aumentar a quantidade de ração para as matrizes mais desgastadas durante a lactação, nos primeiros trinta dias após a cobertura (2,5 Kg para leitoas e 2,3 - 2,8 Kg para as pluríparas); b) realizar o manejo com o macho no alojamento das fêmeas em gestação, durante toda a gestação, duas vezes ao dia; c) melhorar a técnica de aplicação de medicamentos evitando reações inflamatórias no local da aplicação; d) reduzir a exposição ao sol das fêmeas nas áreas de maior insolação e melhorar a ventilação. Essas medidas foram adotadas a partir da 2a visita e se mostraram eficientes na redução da taxa de abortos, entre 20 e 60 dias após a implementação. Tabela 1 Taxa de aborto em quatro granjas no período anterior, durante e depois de um surto de problemas reprodutivos. |
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| REFERÊNCIAS
CONSULTADAS: MUIRHEAD, M. International Pig Letter, v.14, n.1, p.2-4, 1994. MUIRHEAD, M. International Pig Letter, v.4, n.12, p.3-4,1985. SANFORD, S.E. Canadian Veterinary Journal v.23, p. 36, 1982. STORK, M.G. Veterinary Record v.24, p.49-52, 1979. WRATHALL, A E. Comission of the European Communities, Luxenburg, 1987, p. 45-47. WRATHAL, A E. Commonwealth Agricultural Bureaux, Farnham Royal, England, 1975, 313 p. |
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