| As aflatoxinas B1, B2, G1 e G2 ocorrem
com freqüência em grãos utilizados na alimentação
animal em diversos países, entre elas a aflatoxina B1, que é
a mais abundante e tóxica nas contaminações naturais
(OSWEILER, 1993, CHRISTENSEN et al., 1975). Surtos a campo têm sido
reportados em praticamente todos os países que realizam suinocultura
intensiva (OSWEILLER, 1993). Esse tipo de contaminação tem
sido encontrada também em nosso meio, (FIORENTIN et al., 1985).
Os autores pesquisaram a presença de Aflatoxina B1 em 129 amostras
de milho coletadas em fábricas, cooperativas e granjas do estado
de Santa Catarina entre abril e junho de 1995. Entre essas, 118 foram
negativas e 11 positivas, os níveis encontrados oscilaram entre
10 e 100 ppb.
No nosso meio os casos clínicos de aflatoxicose em suínos
e aves são freqüentes, de acordo com os registros de diagnóstico
de laboratórios especializados (como o CPVDF- FEPAGRO, Eldorado
do Sul e CDPA-UFRGS, P. Alegre, OLIVEIRA, 1996). A toxina é capaz
de causar problemas em suínos quando ingerida pela ração
em níveis acima de 50 ppb, sendo que entre 50-400 ppb costumam
causar quadros clínicos crônicos ou inaparentes e acima de
400 ppb quadros agudos a superagudos. As formas clínicas agudas
se associam com uma coagulopatia que cursa com hipoprotrombinemia, os
sintomas variam entre ascite, anemia, icterícia e diarréia
hemorrágica, sendo comum a morte dos afetados. Nos quadros crônicos
os sintomas mais marcantes são de redução do consumo
de ração associada com uma queda acentuada do crescimento
(OSWEILLER, 1993).
Além desses prejuízos ao sistema hematopoiético,
as aflatoxinas causam um efeito significativo no sistema imune. A aflatoxina
B1 é a toxina mais comum e mais potente entre as aflatoxinas. Se
liga covalentemente aos microssomos dos hepatócitos e é
metabolicamente convertida por função oxidativa mista em
pelo menos 7 metabólitos, um dos quais uma forma ativa, o epóxido
8-9 de aflatoxina B1. Essa forma ativa se liga aos ácidos nucleicos
e proteínas celulares e dessa forma inicia as lesões primárias
tóxicas ou carcinogênicas (OSWEILLER, 1993). O seu efeito
imunossupressivo seria mediado pela ação na involução
do timo e dos linfócitos derivados do timo, interferindo com a
resposta imune do hospedeiro. Foi registrada também a inibição
da atividade do complemento em cobaios intoxicados (PANANGALA et al.,1986).
O efeito que esse prejuízo potencial poderia representar em programas
de vacinação já foram demonstrados experimentalmente
em alguns casos. CYSEWSKI et al. (1978) mediram o efeito da adição
de Aflatoxinas à dieta de leitões em relação
ao desenvolvimento de imunidade após a vacinação
contra a erisipela. Os resultados indicaram que o consumo da ração
contaminada interferiu negativamente com o desenvolvimento da imunidade
adquirida e aparentemente aumentou a severidade da infecção
com o Erysipelothrix rhusiopathiae em leitões não vacinados
e desafiados. Segundo os autores, esse tipo de efeito não seria
seletivo (ou seja, não ocorreria para todos os tipos de infecções).
Resultados um pouco diferentes foram obtidos testando o mesmo tipo de
vacina nos experimentos executados por PANANGALA et al., 1986. Nesse caso,
foram intoxicados leitões pelo fornecimento oral de doses de 500
e 300 ppb de aflatoxina B1, sendo que as diferenças mais significativas
ocorreram nos níveis de complemento entre os animais intoxicados.
Esses estudos e a constatação da presença significativa
de contaminação com aflatoxinas nas rações
consumidas em nosso meio, indicam o risco potencial de que a mesma possa
estar interferindo negativamente com programas de vacinação.
Inexistem entre nós trabalhos visando a quantificação
desse efeito. Por isso, seriam aconselháveis precauções
para evitar que suínos sejam alimentados com rações
contaminadas com essas toxinas.
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REFERÊNCIAS
CONSULTADAS:
CYSEWSKY, S.J.; WOOD, R.L.; PIER, A.C. et al. Effects of aflatoxin on the
development of aquired immunity to swine erysipelas. American Journal of
Veterinary Research, v. 39, p. 445-448, 1978.
FIORENTIN, L.; FIALHO, E.T.; FREITAS, A.R. Prevalência de aflatoxinas
em milho utilizado na formulação de rações para
suínos, no Estado de Santa Catarina. Nota Preliminar. II Congresso
Brasileiro de Veterinários Especialistas em Suínos, ABRAVES,
Rio de Janeiro, ANAIS, p. 147-148, 1985.
OLIVEIRA, S.J. de. Comunicação pessoal, 199625-135, 1993.
OSWEILEER, G.D. Mycotoxins. In. LEMAN, A.D., STRAW, B.E., MENGELING, W.L.,
D'ALLAIRE, S.; TAYLOR, D.J. Diseases of Swine, 7. Ed., The Iowa State University
Press, p. 735-743, 1993.
PANANGALA, V.S.; GIAMBRONE, J.J.; DIENER, U.L. et al. Effects of aflatoxin
on the growth performance and immune response of weanling swine. American
Journal of Veterinary Research, v. 47, n. 9, p. 2062-2067, 1986.
PIVA, G; SANTI, E. Le micotossine nei mangimi. Selezione Veterinaria, v.
23, p. 323-338, 1982. |