| 3. Traumatismos
- Todo tipo de lesão no aparelho urogenital pode favorecer a colonização
bacteriana, ao reduzirem a ação das barreiras anatômicas
protetoras (WENDT, 1998). Um exemplo é a laceração
de vulva, comum em instalações com ferros soltos ou por
brigas de fêmeas.
4. Qualidade e quantidade de água -
A qualidade da água implica diretamente em maior consumo e, conseqüentemente,
maior produção de urina. Águas quentes, frias ou
sujas são ingeridas em menor quantidade. Água com pH <
5,7 e alto teor de nitratos podem predispor a IU. O acesso à água
pelos animais deve ser fácil e as instalações devem
ser bem dimensionadas para que as fêmeas possam ter suas necessidades
hídricas saciadas adequadamente em cada fase reprodutiva (SOBESTIANSKY
et al., 1995).
5. Formulação e qualidade da ração -
A composição da ração também é
de grande relevância. Rações laxativas ou excessivamente
ricas em fibras fazem com que seja produzido diariamente um grande bolo
fecal, gerando acúmulo de fezes na região posterior das
fêmeas, o que facilita a contaminação ambiental. Já
as rações concentradas tendem a gerar constipação
e baixa ingestão de água. A adição de sal
na ração na proporção de 1 a 2% também
estimula o consumo de água (WENDT, 1998), mas deve-se tomar o cuidado
extra para que não falte água aos animais (o que poderia
gerar um problema de intoxicação por sal). Além disso,
rações com elevado nível de cálcio, fósforo
e vitamina D resultam em uma alta eliminação de cálcio
pela urina, predispondo à formação de cálculos,
os quais protegem as bactérias da ação dos antimicrobianos
e lesionam o epitélio da bexiga, facilitando desta forma a colonização.
6. Prática de manejo - Fazer um condicionamento das matrizes
para se levantarem normalmente entre 5 e 7 vezes ao dia, correspondendo
aos momentos do arraçoamento, detecção de cio e outros
momentos. Dessa forma, induzimos as porcas a se exercitar, ingerir mais
água e urinar com maior freqüência.
Nos estudos realizados por Perestrelo et al. (1992) verificou-se que,
sem a utilização de medidas medicamentosas de controle,
somente corrigindo os fatores de risco, é possível reduzir
a taxa de prevalência de IU em até seis vezes.
TRATAmENTO
Ao eleger um antimicrobiano (ANT) para o tratamento da IU em matrizes
deve-se responder a quatro perguntas (SCOTT, 1991):
1.O ANT é efetivo contra o organismo causador da IU? Para aumentar
as chances de sucesso do programa terapêutico para o tratamento
da IU deve-se certificar da eficiência do ANT. Isto é possível
com a execução de um antibiograma, que é recomendado
especialmente nos casos com histórico de insucesso em tratamentos
já realizados.
2.O ANT é tóxico para o sistema renal? Como o completo tratamento
da IU pode se estender por até quatorze dias é fundamental
que o fármaco utilizado não seja nefrotóxico.
3.O ANT tem rota renal primária de excreção? A droga
administrada deve ser eliminada pelos rins de forma ativa e sem prévia
metabolização.
4.O ANT é efetivo em pH alcalino? Na IU o pH da urina fica entre
6,5 a 8. Caso a infecção seja causada pelo A. suis, o pH
pode subir para 8 a 9.
Tratar a IU pode ser frustrante, principalmente nos casos crônicos.
Para uma boa resposta à
Penicilinas: são as drogas
mais freqüentemente utilizadas para o tratamento da IU. As grandes
vantagens de utilizar penicilinas são: o pH alcalino potencializa
sua ação, possuem efeitos colaterais sistêmicos mínimos,
não são nefrotóxicas e possuem uma alta taxa de excreção
renal.
A ampicilina é o ANT que melhor preenche estes requisitos, além
de possuir amplo espectro de ação e ser segura na utilização
em matrizes prenhas. Pode ser utilizada com uma aplicação
diária, na proporção de 11mg/kg, via intramuscular,
durante três a cinco dias (SCOTT, 1992).
A penicilina natural atua em bactérias Gram-positivas principalmente,
e deve ser utilizada em três aplicações: nos dois
primeiros dias de tratamento uma aplicação diária
de Penicilina G Procaina, na dose de 5.000 UI/Kg, e no terceiro dia do
tratamento uma aplicação de Penicilina G Benzatina na dose
de 5.000 UI/Kg (SCOTT, 1992), lembrando que este é um protocolo
não recomendado para animais gestantes.
Tetraciclinas: são medicamentos com rápida ação
e amplo espectro, no entanto não são tão efetivos
frente a bactérias Gram-positivas como as penicilinas. Deve ser
lembrado que as tetraciclinas possuem ação bacteriostática,
apresentando antagonismo quando associadas às penicilinas.
Scott (1991) menciona que este grupo farmacológico é primariamente
excretado pelo sistema renal, mas, é contra-indicado no tratamento
de doença renal devido ao seu potencial nefrotóxico e reduzida
ação em pH alcalino.
Duas aplicações diárias na dose de 2,2 mg/kg é
o suficiente para manter bons níveis sanguíneos da droga,
por 3 a 5 dias.
A clortetraciclina e oxitetraciclina na dose de 600 mg de princípio
ativo por tonelada de ração durante 14 dias também
podem ser utilizados (MUIRHEAD, ALEXANDER, 1997).
Outros Antimicrobianos: a utilização do outros antimicrobianos;
tratamento da IU serão a seguir analisados:
A lincomicina é recomendada na dose de 10 mg/kg, com uma a duas
aplicações intramusculares diárias e tem ação
contra o A. suis (MUIRHEAD, ALEXANDER, 1997).
O ceftiofur deve ser aplicado diariamente, por 3 dias consecutivos, numa
dose de 3 mg/kg (DREAU, LAVAL, 2000)
A norfloxacina pode ser administrada por via oral, na dose de 7 a 14 mg/kg/dia
por 10 dias (BARCELLOS, SOBESTIANSKY, 1998).
A enrofloxacina é utilizada na dose de 2,5 mg/kg, por via intramuscular,
com uma aplicação diária durante 3 a 5 dias (POMMIER
et al., 2002).
Acidificantes: o tratamento de animais com IU, dependendo da prevalência
na granja, pode ser uma tarefa penosa, podendo implicar em aplicações
individuais dos medicamentos por vários dias.
Na prevenção, além das atividades de manejo propostas,
podem incluir a aplicação de acidificantes da urina aplicados
na ração.
O uso de acidificantes da urina como o cloreto de amônio, vitamina
C e o ácido cítrico não têm efeito terapêutico
na IU, mas são recomendados para inibir o crescimento de bactérias
patogênicas, em especial o A. suis, além de estimularem maior
consumo de água.
O cloreto de amônio pode ser adicionado na ração na
dosagem de 2,5 a 3 kg/ton por um período de 10 a 14 dias, sem gerar
qualquer prejuízo para a matriz suína (SOBESTIANSKY et al.,
1999) e o acido cítrico 70 mg/animal/dia por até 50 dias
(STRAW et al., 1999). |
CONCLUSÃO
O sucesso de um programa de controle de IU, envolvendo somente a correção
dos fatores de risco ou envolvendo a correção dos fatores
de risco e a utilização simultânea de quimioterápicos,
depende basicamente do proprietário, uma vez que é ele que
decidirá se e quais os fatores de risco que serão corrigidos
. REFERÊNCIAS consultadas:
Barcellos, D. E. S. N.; Sobestiansky, J. Uso de antimicrobianos em suinocultura.
Goiânia: Art3, 1998. 103p. Dreau, D.; Laval, A. Effect of ceftiofur
in the control of urinary infection in sows: Resultus of a field trial
in a french farrow to finish unit. In: CONGRESS OF THE INTERNATIONAL PIG
VETERINARY SOCIETY, 16., 2000, Melbourne, Australia. Proceedings. Melbourne,
Australia: International Pig Veterinary Society Congress (IPVS), 2000.
p. 105.Muirhead, M. R.; Alexander, T. J. L. Eds. Managing and treating
disease in the dry period. In: _____. Managing pig health and the treatment
of disease: a reference for the farm. 1ª Ed., Sheffield, 5M, 1997.
cap. 7, p. 203-205.Penny, R. H. C. Major cause of sow deaths increasing.
International pigletter, V. 5, No. 12, 1986.Perestrelo, R. Contribuição
para o estudo epidemiológico das afecções das porcas
exploradas intensivamente em Portugal. O Suinocultor, v.6, p.19-24, 1990.Pommier,
P. et al. Efficacy of injectable enrofloxacin in the treatment of urinary
infections in sows. In: CONGRESS OF THE INTERNATIONAL PIG VETERINARY SOCIETY,
17., 2002, Ames, USA. Proceedings. Ames, USA: International Pig Veterinary
Society Congress (IPVS), 2002. Scott, A. Diagnosing and controlling urinary
tract infections caused by Eubacterium suis in swine. Veterinary medicine,
feb., p.231-238, 1991.Scott, A. Porcine urogenital disease. Veterinary
clinics of north america: food animal practice, V. 8, No. 3, 1992.Sobestiansky,
J. et al. Infecção urinária de origem multifatorial
na fêmea suína em produção. Suinocultura dinâmica,
V. 16, 1995. Sobestiansky, J. et al. Clínica e patologia suína.
2. ed., Goiânia: Art 3, 1999. 464 p. Straw, B. E. et al. Eds. Diseases
of the urinary system. In: Drolet, R.; Dee. S. A.. Diseases of the swine.
8. ed., Ames, Iowa State University, 1999. ca3p. 63, p. 969-970. Wendt,
M. Urinary disorders of pigs. In: CONGRESS OF THE INTERNATIONAL PIG VETERINARY
SOCIETY, 15., 1998, Birmingham, England. Proceedings. Birmingham, England:
International Pig Veterinary Society Congress (IPVS), 1998. p. 195-201.
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