Fatores de risco para mumificação fetal e natimortalidadeem granjas de suínos tecnificadas

Vladimir Farias Borges - Orientador: Prof. Dr. Ivo Wentz Co-Orientadores: Prof. Dr. Fernando Bortolozzo - Profa. Dra. Mari Lourdes Bernardi

Um dos parâmetros mais utilizados para a mensuração da produtividade em suínos é o número de leitões desmamados por fêmea ao ano. A importância da mortalidade fetal tem aumentado devido ao aumento na taxa de ovulação e provável limitação da capacidade uterina. As perdas fetais, juntamente com a mortalidade na maternidade, estão entre as maiores causas de perdas na suinocultura. Os objetivos do trabalho foram verificar os fatores de risco para mumificação fetal e natimortalidade em 4 granjas tecnificadas. Para fins de análise, os dados de 565 partos foram separados em 2 grupos de granjas com características de ordem de parto (OP) semelhantes; sendo a média de 2,81 partos para o grupo A (alto percentual de leitoas nas duas granjas deste grupo) e 4,45 partos no B (baixo percentual de leitoas). Os leitões e as placentas foram pesados individualmente para obtenção do índice de produção placentária (IPP).

A análise dos possíveis fatores de risco para natimortalidade e mumificação fetal foi feita pela regressão logística multivariada. As taxas de natimortos e de mumificados foram de 4,9% e 4,0% e de 6,2% e 2,8%, nos grupos A e B, respectivamente.(figura 1) O percentual de fêmeas com natimortos foi de 39,6 (110/278) no grupo A, e 44,6 (128/287) no grupo B. As fêmeas com mumificados representaram 37,4 (104/278) e 25,4 (73/287) nos grupos A e B, respectivamente. Fêmeas com mais de 12 leitões apresentaram maiores chances de natimortalidade, no grupo A, ou de mumificação, em ambos os grupos. Fêmeas com OP >5 tiveram maior risco de natimortalidade, em comparação àquelas de OP 2 a 5, no grupo A. Maior risco de mumificados ocorreu nas fêmeas de OP >5 e nas leitoas, no grupo B. O peso da leitegada foi fator de risco para natimortalidade, sendo observado maior percentual de fêmeas com natimortos em leitegadas acima de 18 kg ou em leitegadas leves (<13 kg), mas com leitões de baixo peso médio. Fêmeas com partos longos (>3 h) tiveram maior chance de natimortalidade no grupo B. As fêmeas com mumificados, do grupo B, apresentaram maior risco de natimortalidade.

No grupo B, fêmeas com menor IPP tiveram maior chance de mumificação, em relação àquelas com maior IPP. Os manejos associados ao parto, como indução, uso de ocitocina ou auxílio manual ao parto não foram fatores de risco para natimortalidade. Tendo conhecimento dos fatores de risco, e por conseqüência, das fêmeas com maior chance de apresentarem natimortos e/ou mumificados, pode-se direcionar manejos e cuidados diferenciados para esses animais, com objetivo de diminuir as perdas de leitões e, com isso, aumentar a produtividade pelo aumento de leitões nascidos vivos. Dos vários fatores de risco para natimortos e mumificados, apenas a OP pode ser conhecida de antemão, podendo ser dispensados maiores cuidados para fêmeas de OP de maior risco. No presente estudo, foi constatado que o tamanho da leitegada, direta ou indiretamente, é o que possui maior influência na ocorrência de natimortos ou mumificados. Visto que o tamanho da leitegada anterior está associado com o tamanho da leitegada subseqüente e sabendo-se que fêmeas com leitegadas grandes apresentam maior risco de natimortalidade, é possível fazer uma previsão, pelo menos para aquelas de OP >1, e usar esse dado para dar mais atenção e ter maior cuidado no parto dessas fêmeas, na tentativa de diminuir as suas perdas.

 
volta