Avaliação
de patogenicidade de amostras de brachyspira pilosicoli através
de técnicas histopatológicas convencionais e por imuno-histoquímica.
Fabiana Beatriz Paulovich - Orientador: David
E.S.N. de Barcellos
O presente trabalho objetivou avaliar diferenças na patogenicidade
de 19 cepas de Brachyspira (B.) pilosicoli isoladas de casos de diarréia
em suínos no Estado do Rio Grande do Sul. Foi utilizado o modelo
experimental em pintos de um dia, que possui boa eficiência quando
usado para a infecção oral com a B. pilosicoli, pois permite
a consistente colonização cecal dos animais inoculados.
Através dessa infecção experimental, buscou-se estabelecer
diferenças de patogenicidade entre cepas de referência da
B. pilosicoli e cepas dessa espécie isoladas previamente de casos
de diarréia em leitões no Rio Grande do Sul. Foram inoculadas
21 cepas de origem suína e duas cepas controle (uma a referência
da espécie, P43/6/78 e um isolado humano, P16). Os animais foram
inoculados por via oral com uma suspensão de bactérias vivas
multiplicadas em meio líquido. Decorridos 21 dias após a
infecção experimental, os animais foram sacrificados e os
cecos fixados em formalina 10% tamponada, processados para exame histológico
e os cortes examinados através da coloração pela
prata e com uma técnica imuno-histoquímica. Com o uso da
coloração pela prata, 65% dos animais mostraram colonização
pela B. pilosicoli do epitélio do cecal (Figura 1).
Com a técnica de imuno-histoquímica, 76,2% das cepas mostraram
colonização. Dessa forma, concluiu-se que a imuno-histoquímica
foi superior à coloração pela prata para a avaliação
da colonização intestinal dos pintos, pois foi capaz de
detectar 11,2% de cepas colonizadoras a mais do que a coloração
pela prata. Um segundo experimento visou avaliar a transmissão
horizontal da infecção por B. pilosicoli. Para tal, foram
mantidos em contato na mesma gaiola, pintos inoculados com a bactéria
e animais chamados "contatos", não inoculados. Com o
uso da coloração pela prata, 23,8 % apresentaram-se positivos
e, pela imuno-histoquímica, 54,2 % foram positivos. Aqui também
a imuno-histoquímica revelou-se mais eficiente do que a coloração
pela prata.
Como conclusão desse experimento, as cepas de campo analisadas
mostraram alta capacidade de difusão horizontal. Um achado inesperado
foi a presença de figuras elongadas dentro do citoplasma das células
epiteliais cecais entre alguns animais inoculados (Figura 2). Essas estavam
presentes em 33,3 % das cepas, quando analisadas através da coloração
pela prata. Pelos dados obtidos, não foi possível concluir
que as figuras fossem Brachyspira pilosicoli, pois poderia tratar-se de
outra bactéria intracelular ou artefato. Entretanto, como recentemente
(no ano de 2003) foi realizado o primeiro registro por microscopia eletrônica
de um achado de Brachyspira spp. intracelular, esse achado poderia significar
uma alta capacidade invasiva entre as cepas analisadas. Novos estudos
serão realizados e, caso comprovado, esse fato poderia auxiliar
em muito o entendimento da patogenia da infecção pela B.
pilosicoli, pouco clara até o momento. |