ANÁLISE DA ÉPOCA DA MUMIFICAÇÃO FETAL EM SUÍNOS CONFORME O TAMANHO DOS FETOS MUMIFICADOS

Schneider, L.G.1; Costi, G.1; Bortolozzo, F.P.1; Wentz, Ivo1; Borchardt Neto, G.2 ; Dallanora, D.1

1 - Setor de Suínos – FAVET – UFRGS, Av. Bento Gonçalves, 9090, CEP 91540-000, Porto Alegre, RS
2 - Laboratório de Reprodução Animal, Pólo de Inovação Tecnológica do Alto Jacuí – Universidade de Cruz Alta –
Rua Andrade Neves, 308, CEP 98025-810, Cruz Alta, RS.
INTRODUÇÃO

Existem duas causas prováveis para a ocorrência da mumificação fetal: a falta de espaço uterino, com descolamento precoce da placenta, ou doenças de caráter progressivo no útero que conduzem o feto à morte, expandindo-se para o feto adjacente, e levando a morte de alguns ou vários fetos da mesma leitegada. A idade gestacional, onde ocorreu a morte fetal, pode ser obtida através da medida de comprimento fetal do topo da cabeça (crista do occipital) à inserção da cauda. O objetivo deste trabalho foi analisar a mumificação fetal conforme o tamanho de cada feto mumificado e nas leitegadas com 3 ou mais fetos mumificados.

MATERIAIS E MÉTODOS

Observou-se 131 partos em uma unidade produtora de leitões (UPL) com 2.400 fêmeas, 24 horas por dia. Os fetos mumificados foram classificados como aqueles que apresentaram elevado grau de desidratação, devido à reabsorção dos tecidos moles, com cor variando do cinza até o marrom. Esses fetos, normalmente são expulsos durante o parto com a placenta correspondente, a qual também se apresentava desidratada. A idade gestacional, quando ocorreu a morte fetal, foi obtida através da relação entre o comprimento fetal, medido da inserção da cauda até a crista do occipital, e o período gestacional correspondente (Figura 1).

RESULTADOS

Baseado no tamanho dos fetos mumificados, o período gestacional onde mais ocorreram mortes fetais com conseqüente mumificação, foi o compreendido entre 50-60 dias de gestação com 32% do total de fetos mumificados, período esse que corresponde ao comprimento de 88-130mm (Figura 2). Entretanto, aproximadamente 35% dos fetos mumificados corresponderam ao período gestacional de 30-50 dias, com dimensões de 20-88mm. A mumificação fetal, em leitegadas contendo 3 ou mais fetos mumificados (Tabela 1), apresentou fetos de diferentes tamanhos, o que pode indicar que a morte fetal pode ter sido de caráter progressivo dentro do útero materno.

Na análise do tamanho da leitegada nessas porcas, observa-se que a maioria apresenta mais de 14 leitões, o que de certa forma pode sugerir também uma falta de espaço uterino. No entanto, a leitegada que apresentou 6 leitões mumificados conteve 15 leitões nascidos totais, caracterizando não a falta de espaço no interior do útero, e sim uma doença de caráter progressivo. Portanto, as características das leitegadas com 3 ou mais fetos mumificados (Tabela 1), sugerem a falta de espaço uterino e também a ocorrência de doenças de caráter progressivo no útero.

Figura 2 - Perfil da mumificação conforme a relação entre o tamanho dos fetos (comprimento entre a crista do occipital na cabeça e a inserção da cauda), idade gestacional (dias) e o percentual no total de mumificados.

Tabela 1 - Tamanho dos fetos mumificados (MUM), número de natimortos (NM), leitões nascidos vivos (NV), leitões nascidos totais (NT) e ordem de parto (OP) das fêmeas com leitegadas com 3 ou mais fetos mumificados.
CONCLUSÕES

O período fetal onde ocorreram as perdas mais acentuadas, com conseqüente mumificação, foi o compreendido entre os 50-60 dias. Perdas ocorridas entre 30-50 dias (representando 35%) são de difícil observação devido ao tamanho dos mumificados, o que dificulta sua visualização na placenta expulsa no parto e, conseqüentemente, problemas de falhas nos registros. As características das leitegadas com 3 ou mais mumificados sugerem a falta de espaço uterino e também a ocorrência de doenças de caráter progressivo no útero. Ao avaliar mumificados, deve-se levar em conta a importância de um levantamento fidedigno, sem omitir as múmias pequenas. O índice não deve ser avaliado por si só, mas sim avaliar, se nas fêmeas com mais de 3 mumificados, há evidências de caráter progressivo, sugerindo problema infeccioso.
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