Produção espermática em uma central de inseminação artificial

Wollmann, E. B.; Bortolozzo, F. P.; Wentz, Ivo; Bennemann, P.; Borchardt Netto, G.; Mendonça, F.; Peruzzo, I.


Nos últimos anos vem sendo observado um enorme crescimento do número de inseminações artificiais (IA) na suinocultura tecnificada nacional. A estimativa de fêmeas inseminadas no ano 2000, era de 51% do plantel tecnificado brasileiro, sendo que a adoção dessa biotécnica torna-se economicamente recomendável em granjas com mais de 600 matrizes, o que demonstra o sucesso da técnica e explica o grande volume de novos projetos no Brasil. Entretanto, há poucos dados disponíveis sobre a performance produtiva de machos em centrais de inseminação artificial (CIAs). A informação da produção espermática, de acordo com a faixa etária, é importante durante a elaboração de projetos para CIAs no que diz respeito ao número de machos necessários para atender um determinado plantel de matrizes, bem como à taxa de reposição a ser praticada na CIA e ao momento mais propício para o descarte dos machos. Em CIAs na Holanda, em torno de 61% dos machos são descartados por deficiências quantitativas ou qualitativas nos parâmetros seminais. O objetivo deste estudo foi estabelecer o perfil da produção espermática/coleta de acordo com a faixa etária dos machos, em uma CIA localizada no sul do Brasil.
Foram utilizados dados de 12 meses da rotina da CIA em que foram computadas todas as coletas (n = 6.946 coletas) de 169 machos. A freqüência de coletas dos machos foi de uma coleta a cada 7 dias entre os 7 e 10 meses de idade, três coletas a cada 14 dias dos 11 aos 12 meses e duas coletas a cada 7 dias a partir dos 13 meses. As idades foram categorizadas em períodos de dois meses. Foram analisadas as diferenças entre as categorias para o volume (VOL), concentração espermática (CONC), número total de espermatozóides no ejaculado (TOT SPTZ). Motilidade e o percentual de alterações espermáticas (MORF). O exame de morfologia espermática foi realizado periodicamente a cada 45 a 60 dias em todos os machos. As diferenças na produção espermática foram avaliadas pelo procedimento GLM do pacote estatístico SAS. As médias foram comparadas estatisticamente pelo teste t de Student para alfa de 5%.





Os animais com menos de 11 meses de idade, mesmo com uma baixa freqüência de coletas, apresentaram TOT SPTZ abaixo do patamar alcançado pelos animais com idade superior a 11 meses (Figura 1). Os machos entre 11 e abaixo de 13 meses, apresentaram um ligeiro aumento numérico em relação a categoria anterior, porém sem diferença estatística. A partir dos 13 meses há um pequeno aumento na produção, mesmo com aumento da freqüência de coletas, estabilizando em torno dos 88 x 109 aos 19 meses de idade (Tabela 1) com variação de 5,02%. Percebe-se claramente uma queda na produção a partir dos 31 meses para patamares de 80 x 109espermatozóides. As variáveis VOL e CONC demonstraram um comportamento inversamente proporcional (Figura 2 e 3). Houve aumento no VOL e redução na CONC até os 23 meses. Após esse período ocorreu uma queda no VOL e conseqüente aumento na CONC. A variável MORF não foi diferente entre as categorias (Tabela 1).

CONCLUSÕES

O TOT SPTZ demonstrou um aumento acentuado no início da vida reprodutiva dos machos com pequeno ganho até os 19 meses e relativa estabilização até os 31 meses. Pode-se afirmar que, nessas condições, machos entre 19 e 31 meses têm um potencial produtivo médio de 87 x 109 espermatozóides por coleta, dado este importante para futuros projetos. Machos a partir dos 31 meses diminuem o número de espermatozóides liberados em cada ejaculação, em relação aos machos entre 19 e 31 meses de idade.

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