Incidência de cistos ovarianos em dois rebanhos suinos e conseqüências no desempenho reprodutivo

CastagnaC, C. D.; Peixoto, C. H.; Bortolozzo, F. P.; Wentz, Ivo; Borchardt Neto, G.; Ruschel F.


INTRODUÇÃO

Os cistos ovarianos representam um quadro complexo na reprodução. Pouco se conhece sobre a sua incidência em fêmeas suínas que manifestam estro após o desmame ou no caso de nulíparas no estro de cobertura. Avaliando a incidência de cistos em frigorífico, foi observado que os cistos estão presentes em aproximadamente 10% das fêmeas enviadas ao abate por problemas de fertilidade (5).
Autores registraram que os cistos podem causar reduções nas taxas de concepção, ciclos estrais irregulares e alterações no comportamento (4,5). O objetivo deste trabalho foi determinar a incidência de cistos em fêmeas suínas cíclicas e as suas conseqüências no desempenho reprodutivo do plantel.
Cistos
MATERIAIS E MÉTODOS

Este estudo foi conduzido em duas granjas, entre os meses de Maio e Julho de 1999 e, entre os meses de Agosto e Outubro do mesmo ano, quando foram avaliadas 1990 fêmeas. O diagnóstico de estro foi realizado duas vezes ao dia. A primeira inseminação artificial (IA) foi realizada no turno seguinte ao do diagnóstico de estro. As demais IAs foram realizadas com intervalos de 12 ou 24 horas. As fêmeas com intervalo desmame estro (IDE) inferior a um dia e as nulíparas receberam a 1ª IA no momento da detecção de estro. Foi realizado acompanhamento ultra-sonográfico, a cada 12 horas. O número de leitões produzidos em 100 fêmeas cobertas foi calculado multiplicando-se a TP ajustada pela média de leitões nascidos. Para comparação da taxa de retorno ao estro (RE) e da TP ajustada foi realizado o Teste2. Para tamanho de leitegada (TL) foi realizada análise de variância. Para a determinação das causas de ocorrência de cistos foi realizada uma regressão logística.

RESULTADOS

Neste estudo, 47 animais apresentaram cistos (2,36%), sendo 17 na granja A (2,31%) e 30 na granja B (2,39%). Não foi possível a determinação da duração do estro das fêmeas que apresentaram cisto, pois grande parte apresentou estro intermitente. Durante o experimento, 4 fêmeas com cisto apresentaram comportamento ninfomaníaco. A taxa de RE foi 9,72 e 7,57% para as granjas A e B, respectivamente. Nas fêmeas com cisto, a taxa de RE foi 35,29 e 33,33% nas granjas A e B, respectivamente. De todas as fêmeas avaliadas, 157 retornaram ao estro, das quais 16 tinham cistos, o que representa 10% dos casos de RE. Das matrizes avaliadas, 17 (0,85%) chegaram vazias ao parto, das quais 5 haviam apresentado cistos, ou seja, praticamente um terço dos casos (29,41%). Não foi assegurada diferença estatística para TL. Apesar de somente 8,59% das fêmeas apresentarem DURLAC de até 14 dias, 20 % das fêmeas que apresentaram cistos estavam nesta categoria. A OP não influenciou o aparecimento de cistos. As fêmeas com IDE menor que 3 dias tiveram mais chances de desenvolver cistos.


FIGURA 1 - Taxa de retorno ao estro e de Fêmeas vazias ao parto em fêmeas com ou sem cistos.

FIGURA 2 - Taxa de Parto Ajustada em fêmeas com ou sem cistos.
FIGURA 3 - Tamanho de leitegada de fêmeas com ou sem cistos.
FIGURA 4 - Incidência de cistos de acordo com a ordem de parto.
FIGURA 5 - Incidência de cistos de acordo com a duração da lactação.
FIGURA 6 - Incidência de cistos de acordo com o Intervalo desmame estro.

CONCLUSÕES

Os resultados permitem concluir que: a) cistos estão associados a 10% dos casos de RE; b) cistos provocaram RE em cerca de um terço das fêmeas acometidas por esta desordem; c) cistos estão associados com fêmeas vazias ao parto; d) cistos são mais prejudiciais para a TP do que para o TL; e) o problema de cistos pode ser maior, uma vez que só fêmeas cíclicas foram avaliadas; f) fêmeas com IDE menor que 3 dias, e fêmeas com DURLAC inferior a 14 dias tem maior propensão a apresentar cistos e, g) o diagnóstico de cistos pode ser realizado através da ultra-sonografia repetida, após 36 horas do início do estro.
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