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| transporte espermático
e formas de eliminação do sêmen do trato genital feminino Rosemary M. Vidor, Arita T. Postal, Fernando Bortolozzo, e Ivo Wentz O emprego da inseminação artificial (IA) em suínos tem crescido substancialmente nas últimas décadas. Embora a viabilidade econômica com emprego da IA seja inegável, atualmente, uma série de pesquisas tem sido desenvolvidas com o intuito de otimizar o emprego dessa biotécnica. A otimização no emprego da IA na espécie suína aborda, obrigatoriamente, o tema redução no número de espermatozóides a ser empregado por fêmea ao ano. Nesse sentido novas idéias são desenvolvidas como, por exemplo, a deposição uterina profunda da dose inseminante ou a redução dos mecanismos naturais de eliminação espermática pós-IA. Com isso, para o sucesso da IA bem como na implementação dessas novas técnicas, é de fundamental importância conhecer o que acontece com o ejaculado (plasma seminal e espermatozóides) após a deposição no trato genital feminino (TGF). Assim, o momento em que o sêmen é depositado no TGF, iniciam mecanismos que podem tanto auxiliar os espermatozóides a atingirem o oviduto através do transporte espermático quanto promover a eliminação desses. Após a deposição no TGF, os espermatozóides são transportados de forma ativa, onde a motilidade própria da célula será responsável pelo seu deslocamento, e de forma passiva, onde as contrações uterinas e os movimentos ciliares desempenham papel fundamental. |
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| O transporte ativo, determinado pela motilidade espermática, tem uma importância fundamental no transporte do sêmen especialmente na passagem pela junção útero-tubárica (Hunter, 1990) e na penetração do oócito (Baker e Degen, 1972). A motilidade espermática permite, ainda, a permanência dos espermatozóides em suspensão no lúmen uterino, evitando assim, a aderência dos mesmos nas paredes do endométrio e sua conseqüente fagocitose. Alguns estudos demonstraram que espermatozóides já podem ser encontrados no oviduto 5 minutos após a IA (Viring et al., 1980). Como a longa distância que compreende o local de deposição até o oviduto é percorrida rapidamente, fica evidente que a participação do transporte espermático ativo desempenha um papel minoritário. | ![]() |
Coleta de refluxo após a IA
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| O grande
responsável pelo rápido deslocamento das células espermáticas
é o transporte espermático passivo, oriundo das contrações
longitudinais do útero. Um outro exemplo da importância do
transporte espermático passivo foi demonstrado por Baker e Degen
(1972).Os autores observaram que espermatozóides mortos depositados
no TGF podem, também, alcançar oviduto. Nesse sentido, o plasma
seminal (PS) é um potente estimulador dessa atividade de contração
uterina (Katila, 2001), possivelmente por conter ocitocina e prostaglandinas.
Para obtenção de bons resultados de fecundação,
um número suficiente de espermatozóides viáveis deve
estar presente no reservatório espermático no momento da ovulação
(Steverink et al., 1998). O reservatório espermático é
formado nas primeiras 1-2 horas após a deposição do
sêmen no TGF (Hunter 1981). Existem vários fatores que podem afetar o período em que os espermatozóides permanecem viáveis nesse local. Dentre outros, pode-se citar: a qualidade do ejaculado processado, as variações individuais entre cachaços, a qualidade associada à produção, o armazenamento e o transporte das doses de sêmen produzidas, o tempo de armazenamento in vitro das doses de sêmen, além das possíveis diferenças individuais inerentes à fêmea. Embora seja possível observar alguns espermatozóides móveis alojados nesse local por períodos de 48-72 horas após a deposição, isso não significa dizer que após esse período haja uma população espermática apta a proporcionar taxas de fecundação satisfatórias. De um modo geral, essa população de células espermáticas armazenadas no reservatório tende a permanecer viável por um período próximo a 24 horas. Com relação a isso, devem-se fazer algumas considerações: durante a monta natural e a IA são depositados 60 a 100 e 2 a 4 bilhões, respectivamente, de espermatozóides no TGF. Em poucas horas, há a formação do reservatório espermático com alguns milhares de células espermáticas, sendo que os demais espermatozóides não estão mais presentes no útero. O que acontece com essas células espermáticas levando esse decréscimo da ordem de bilhões para milhares em poucas horas? Fica evidente que a maioria dos espermatozóides é eliminada do TGF. Essa eliminação ocorre pelo refluxo em direção à cérvix, pela fagocitose e pela passagem direta para a cavidade peritoneal. As contrações uterinas que auxiliam no transporte espermático passivo também promovem a eliminação de um grande volume de sêmen pelo refluxo em até duas a três horas após a IA. Na Tabela 1, pode ser observado o volume e o número de espermatozóides que refluíram passadas duas horas após a IA utilizando três técnicas distintas. Nesse experimento foi comparada a aplicabilidade do método da "Auto IA" (T1), uma variação no método da "Auto IA" utilizando material descartável visando a otimização do tempo de IA/fêmea (T2) e o método tradicional (T3). Observam-se pequenas variações no volume de refluxo que ficam entre 65 e 75% do volume inseminado, sem diferenças no número de espermatozóides eliminados. Pode-se afirmar que, de um modo geral, as perdas por refluxo representam, aproximadamente, 70% do volume e 25-30% dos espermatozóides da dose inseminante (DI). A concentração do refluxo, em relação à porcentagem de DI, decresce com o passar do tempo após a IA. As fêmeas primíparas apresentam um maior volume de refluxo durante a IA quando comparadas às fêmeas com ordens de parições superiores, porém com uma enorme variabilidade individual. A causa dessa variação ainda não foi claramente identificada, podendo ser devido à diferença na atividade de contração uterina. A quantidade de refluxo acaba tendo um reflexo negativo direto no desempenho reprodutivo quando a dose inseminante empregada contém um baixo número de espermatozóides. Nesse sentido, Steverink et al. (1998) demonstraram que, durante a IA, perdas iguais ou superiores a 5% da dose inseminante no refluxo teve um efeito negativo nos resultados da fecundação quando as fêmeas foram inseminadas com apenas 1x109 espermatozóides. Não tendo sido observado esse efeito negativo com uma dose inseminante de 3 e 6 x 109 espermatozóides. Além disso, os estudos que avaliaram o refluxo após a IA não demonstraram afetar os resultados de fecundação. |
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| TABELA 1. Volume
e número de espermatozóides do refluxo 120 minutos após
a inseminação artificial utilizando técnicas diferentes
e considerando a ordem de parto. Outro fator que pode influenciar a fecundação a partir da entrada do sêmen no TGF, é a resposta inflamatória gerada pelos espermatozóides, proteínas, componentes do plasma seminal e ingredientes do diluente, identificados pelo organismo como antígenos. Essa resposta inflamatória no endométrio ocorre através da migração de neutrófilos polimorfonucleares (PMN) para o lúmen uterino. Esses PMNs são recrutados ao útero pelo volume de sêmen depositado e pelo plasma seminal, sendo esse capaz de ativar o sistema complemento. Esse processo tem o seu pico de 6 a 12 horas após a IA, persistindo por até 24 horas (Rozeboom et al.,1998) e tem o objetivo de eliminar contaminações (de qualquer natureza), além de gerar um meio favorável para a viabilidade dos embriões. A cada repetição da IA é gerada uma nova inflamação uterina, possibilitando uma redução da taxa de fecundação. No entanto, sabe-se que o PS, também apresenta atividades imunomoduladoras e imunodepressoras através da supressão do influxo dos PMNs; reduzindo esse efeito negativo da resposta inflamatória na fertilidade. Estudos recentes têm demonstrado que a migração de PMNs e a fagocitose dos espermatozóides in vivo podem ser reduzidos pela adição de cafeína e CaCl2 ao líquido inseminado, cujos resultados parecem ter sido positivos no aumento da viabilidade do espermatozóide no local da fecundação (Woelders et al., 2001) Tabela 2. Trabalhos nessa linha, promovendo uma redução ou um atraso da fagocitose espermática, têm alcançado resultados promissores objetivando uma redução nesse mecanismo de eliminação, permitindo uma diminuição no número de espermatozóides da dose inseminante. Entretanto, deve-se estar atento a possíveis efeitos negativos dessa redução da resposta imune uterina, como um possível aumento dos corrimentos vulvares. |
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TABELA 2. - Embriões normais e espermatozóides acessórios em porcas inseminadas em intervalos pré- e pós-ovulatórios com a adição de Ca²+/Cafeína infundida após a IA. |
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| Outra possibilidade de eliminação dos espermatozóides, relatada por Viring (1980) e Viring & Einarsson (1981), é a migração para a cavidade peritoneal através da passagem desses pelo oviduto. Uma vez na cavidade peritoneal, os espermatozóides ainda estão aptos à fecundação, desde que apresentem uma motilidade progressiva e já tenha ocorrido a ovulação. Entretanto, quando comparado às demais formas de eliminação espermática do TGF, esse mecanismo é de pouca importância quantitativa. Percebe-se, portanto, a existência de vários mecanismos com influência direta sobre o desempenho reprodutivo, que atuam sobre o sêmen depositado no TGF. Por isso torna-se necessário o conhecimento desses processos para que se possa ampliar as técnicas de IA interferindo de forma positiva nos índices reprodutivos. | ![]() |
Amostra de refluxo coletada em 2
horas após a IA |
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| BIBLIOGRAFIA consultada: BAKER, R. D.; DEGEN. Transport of live and dead boar spermatozoa within the reproductive tract of gilts. Journal of Reproduction Fertility. v.28, p. 369-377, 1972. FLORES, L. A .S.; WENTZ, I.; BORTOLOZZO, F. P.; BORCHARDT NETO, G.; BALESTRIN, R.; GAVA, G.; KUMMER, R. Avaliação de diferentes métodos de inseminação artificial em suínos. Anais do X Congresso da ABRAVES, V.2, p. 271-272, 2001. HUNTER, R. H. F. Physiology of the fallopian tubes, with special references to gametes, embryos and microenvironments. In: J. L. H. EVERS e M. J. HEINEMAN, from ovulation to implantation, Amsterdam: Excepta Medica, International Congress Series 917, p. 101-119, 1990. HUNTER, R. H. F. Sperm transport and reservoirs in the pig oviduct in relation to the time of ovulation. Journal Reproduction Fertility, v. 63, p. 109-117,1981. KATILA, T. Sperm - uterine interactions: a review. Animal Reproduction Science. v. 68, 267-272, 2001. ROZEBOOMM, K. J; TROEDSSON, M.H.T; CRABO, B.G. Characterization of uterine leukocyte infiltration in gilts after artificial insemination. Journal of Reproduction and Fertility 114, p.195-199,1998. STEVERINK, D. W. B.; SOEDE,N. M.. BOWMAN, E. G.. KEMP, B. Sêmen backflow after insemination and its effects on fertilisation results in sows. Animal Reproduction Science. v. 54, n.2, p.109-119, 1998. VIRING, S. Distribution of live and dead spermatozoa in the genital tract of gilts at different times after insemination. Acta Vet. Scand., v.21, p. 598-606, 1980. VIRING, S.; EINARSSON, S.; JONES, B.; LARSSON, K. Transuterine transport of small - and medium - sized molecules deposited in the uterus in gilts. Journal of Reproduction and Fertility. v.59, 459-462, 1980. VIRING, S.; EINARSSON, S. Sperm distribution within the genital tract of naturally inseminated gilts. Nord. Vet. Med., v.33, p.145-149,1981. WEITZE, K.F.: Reação imune do útero de porcas à inseminação e suas conseqüências na fecundação. III° Simpósio Internacional MINITUB "Inseminação Artificial em Suínos", Rio Grande do Sul, Brasil, 2000. WOELDERS, H; MATTHIJS, A: Phagocytosis of boar sperm in vitro and in vivo. Sixth International Conference on Pig Production, Columbia, USA, 2001. WOELDERS, H; MATTHIJS, A; BOUWMAN, E. G.; SOEDE, N. M. Caffeine plus Ca2+ reduces uterine leucocyte recruitment and sperm phagocytosis and improves fertility in pig AI. 14th International Congress on Animal Reproduction, abstracts, v. 2 , p. 94, 2000. |
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