Inseminação intra-uterina com redução no volume e número de espermatozóides

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INTRODUÇÂO

Vários pesquisadores demonstraram que, em fêmeas pluríparas, o intervalo ótimo para realização da inseminação artificial é de até 24 horas antes da ovulação. Para outros autores, esse período pode ser ampliado para 28 horas antes até 4 horas após a ovulação, sem comprometimento da taxa de parto e do tamanho da leitegada. A ultra-sonografia transcutânea em tempo real é uma tecnologia que vem sendo muito utilizada como ferramenta na identificação do momento da ovulação (MOV) em fêmeas suínas e foi fundamental para a determinação do intervalo ótimo entre a inseminação e a ovulação. A inseminação intra-uterina (IAU) não cirúrgica é uma técnica que foi desenvolvida e inicialmente estudada nos anos de 1959 e 1961. Porém, somente a partir dos anos 90, passou a ter aplicabilidade prática pela possível redução no número de espermatozóides (sptz) e volume da dose inseminante (DI) sem comprometimento do desempenho reprodutivo. As reduções no número de sptz e no volume das DIs utilizadas na IAU necessitam de mais estudos, para que valores mínimos sejam definidos a ponto de serem utilizáveis com bons resultados. O objetivo do experimento foi avaliar a eficiência reprodutiva de fêmeas suínas que receberam uma única inseminação intra-uterina com volume e número de sptz inferiores aos utilizados na inseminação tradicional.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A TPr nos tratamentos T1, T2 e T3 (P= 0,36) não diferiu (Tabela 1). Em todos os tratamentos as taxas de prenhez superiores foram obtidas com o macho C, em comparação ao D (figura 1). Quando o número de sptz na DI foi reduzido para 0,25 bilhão (T3), o macho D apresentou diminuição acentuada na TPr, a qual foi significativamente (P<0,05) inferior à observada com os outros três machos (figura 1). Este resultado indica que reduções no número de sptz podem salientar diferenças de fertilidade (principalmente TPr) entre os machos. Uma das vantagens da redução no número de sptz na DI possibilitada pela IAU é viabilizar a utilização de outras tecnologias como a IA com sêmen congelado. Em trabalho utilizando “pool” de sêmen congelado/descongelado e duas IAU, 30 e 42 horas após a manifestação do estro, com 1,0 bilhão de sptz/7 mL foram obtidas TPr de 70% e tamanho de leitegada de 9,2 leitões, superando os resultados rotineiramente alcançados pela deposição intra-cervical com sêmen congelado.

Outra vantagem, e talvez a principal delas, seja a possibilidade de aumentar consideravelmente o número de DI produzidas por macho, pela redução no número de sptz utilizados na dose IAU. No sistema atual de produção de DI, um macho, se bem manejado, pode produzir até 2.000 DI/ano de 3,0 bilhões de sptz e, se utilizados 500 milhões de sptz na IAU, a produção pode aumentar para 12.000 DI/ano. Ao inseminar fêmeas 36 horas após a aplicação de hCG com sêmen diluído e doses de 150 e 50 milhões de sptz/10 mL, foram obtidas TPr de 86,3% e 77,8%, respectivamente. Quando o número de sptz na dose foi reduzido para 25 e 10 milhões de sptz/10 mL ocorreu uma redução significativa deste índice para 51,5% e 39,1% (P< 0,001), indicando que 50 milhões de sptz, provavelmente seja o ponto crítico para obtenção de boas TPr (próximas a 80%). Neste experimento, a redução no número de sptz por dose de 500 para 250 milhões de sptz/20 mL (T3) representou uma diminuição na TPr de 85,5% para 77,1%, assemelhando-se aos dados de outro estudo onde a redução de 500 para 100 milhões de sptz representou uma redução na TPr de 77,3% para 65,2%, embora ambas sem diferença significativa. Em outro experimento, inseminando fêmeas com sêmen in natura e volume de 20 mL com uma DI de 10 bilhões, 1,0 bilhão e 100 milhões de sptz foi observada uma TPr de 78,5%, 83,5% e 24,6%, respectivamente.

A TPr obtida com 1x109 sptz foi semelhante a encontrada no T1 do presente trabalho (84,7%). O NET diferiu (P<0,05) entre os tratamentos 2 e 3 (Tabela 1). O mesmo foi observado no NEV, onde o T2 (12,8+3,5) assemelha-se ao de outro experimento (12,6+5,6) realizado com uma única IAU 24–32 horas após o início do estro, com uma DI contendo 20 mL, embora a TPr no presente experimento tenha sido superior (85,5% vs. 77,3%). A diferença entre machos observada na taxa de prenhez não se repetiu no número de embriões totais (figura 2). Quanto à SE (tabela 1), houve diferença entre os tratamentos (P<0,05), possivelmente isso deva-se a fatores ligados a fêmea e não ao número de sptz infundidos.

MATERIAL E MÉTODOS

No experimento foram utilizadas 211 fêmeas de uma granja comercial no Sudeste brasileiro, com ordem de parto variando de 2 a 9, duração da lactação de 17 a 23 dias e intervalo desmame–estro de 2 a 6 dias. Foi utilizado delineamento completamente casualizado, sendo os animais distribuídos em 3 tratamentos: T1 – IAU com 1 bilhão de sptz, T2 – IAU com 0,5 bilhão de sptz e T3 – IAU com 0,25 bilhão de sptz. Como doadores de sêmen, foram utilizados 4 machos sexualmente maduros, sendo a coleta realizada pelo método da mão enluvada. Para avaliação do ejaculado foram considerados o volume, motilidade e aglutinações. A diluição foi realizada em “split sample”, ou seja, o mesmo ejaculado originou DI para os 3 tratamentos. A determinação da concentração espermática (sptz/mL) foi realizada por contagem em câmara de Neubauer improved®. Após a diluição foi realizada uma recontagem no número de sptz nas DIs. As DI utilizadas foram armazenadas em temperatura de 15°C a 18°C por até 48 horas. O diagnóstico de estro e do MOV foi realizado duas vezes ao dia. Para o diagnóstico do MOV foi utilizada a ultra-sonografia transcutânea (transdutor linear convexo de 5 MHz). Foi realizada uma única IA no intervalo 0 a 24 horas antes da ovulação com volume total da DI de 20 mL. A IAU foi realizada com uma pipeta descartável (MinitubTM). Após a fixação da pipeta na cérvix, um cateter foi introduzido no interior desta para ultrapassar os anéis cervicais permitindo a deposição da DI no corpo ou em um dos cornos uterinos aproximadamente 20 cm além da cérvix. As inseminações foram realizadas na presença de um macho. O diagnóstico de gestação foi realizado entre os dias 20 e 23 após a IAU com auxílio da ultra-sonografia transcutânea. As fêmeas prenhes foram abatidas 34 a 41 dias após a IAU. No abate foram contados o número de corpos lúteos (CL), de embriões totais (NET) e de embriões viáveis (NEV). A sobrevivência embrionária (SE) foi considerada como a proporção de NEV em relação ao CL. Os dados de taxa de prenhez ao ultra-som (TPr) e taxa de retorno ao estro (TR) foram analisados pelo teste Qui-quadrado e o NET, NEV e SE foram analisados pelo procedimento GLM do SAS sendo as médias comparadas pelo teste de Tukey.

CONCLUSÃO


De acordo com os resultados obtidos neste experimento, utilizando apenas uma inseminação intra-uterina no intervalo de até 24 horas antes da ovulação com 0,5 bilhão de espermatozóides, foi possível alcançar índices superiores a 85% para taxa de prenhez e 14 embriões totais aos 34 – 41 dias de gestação. A utilização da inseminação intra-uterina com redução no número de espermatozóides de 3 bilhões para 0,5 bilhão possibilita o aumento do potencial produtivo anual do macho em até 500%.

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