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| SITUAÇÃO
PRIVILEGIADA Prof. Dr. David Barcellos |
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| Foi realizado entre 2 a 5 de Junho de 2002 em Ames, Iowa, Estados Unidos da América, o 17° Congresso da International Pig Veterinary Society (IPVS). A delegação brasileira foi numerosa, contando com mais de 80 participantes entre os cerca de 2000 inscritos. Esse é o maior evento mundial na área de sanidade suína e pode servir como um referencial para balizar a nossa situação sanitária em relação a outros grandes países produtores de suínos. Neste contexto, foi confirmada a enorme relevância que patologias emergentes vem representando para a suinocultura mundial, como as infecções pelo Circovírus e pelo vírus da Síndrome Reprodutiva e Respiratório dos Suínos (PRRS). | ![]() |
| De outra parte, algumas doenças já
erradicadas vem emergindo com força em países até então
considerados livres (como surtos de Aftosa e Peste Suína Clássica).
Em particular, a PRRS revelou-se capaz de alterar profundamente a nossa
percepção de patologias bem conhecidas. A "tradicional" Pneumonia Enzoótica, nos países que são afetados pela infecção pelo vírus da PRRS, passou a se chamar "Complexo das Doenças Respiratórias dos Suínos". Nesse caso, à infecção pelo Mycoplasma hyopneumoniae, associam-se os vírus da PRRS, influenza, coronavírus respiratório e alguns patógenos bacterianos secundários (como a P. multocida e H. parasuis). O resultado final é uma situação sanitária desastrosa nas creches e terminações, com taxas de mortalidades nesse período de até 7% sendo consideradas "aceitáveis". E o nosso país? Temos fudamentadas evidências de negatividade de nossos rebanhos para o vírus da PRRS, não há conhecimento da importância clínica de infecções pelo circovírus e as grandes epidemias capazes de afetar rebanhos suínos (como aftosa e peste suína clássica) se encontram praticamente ausentes de nossos rebanhos. Essa é uma situação sanitária extremamente privilegiada e nos coloca numa significativa vantagem competitiva em relação a outros países produtores. De outra parte, no Congresso, foram apresentados programas para o controle ou mesmo para eliminar variadas doenças. É importante que estejamos seguindo caminho similar, para evitar que haja um desnivelamento em relação aos países competidores. O nível sanitário já é usado como forma de barreira comercial (como no caso da aftosa e peste suína clássica) e essa lista poderá aumentar muito no futuro. É nossa responsabilidade zelar por esse "status" diferenciado, tomando precauções eficientes para prevenir a importação de agentes indesejáveis e avançando no controle e erradicação de doenças capazes de servir, no futuro, como barreiras à exportação da carne de nosso país. |
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