![]() |
![]() |
| CRISE SANITÁRIA
Prof. Dr. David Barcellos |
|
| Desde os bancos universitários, somos impregnados com uma forte preocupação com as conseqüências das doenças epidêmicas. Assim, a Febre Aftosa, Peste Suína Clássica ou Doença de Aujeszky costumam freqüentar nosso imaginário de maneira quase sempre catastrófica, principalmente quando nos deparamos com sintomas ou lesões sugestivas dessas doenças na nossa rotina de visitas a granjas ou frigoríficos. São exatamente essas que conseguem quase que o inimaginável: quando ocorrem em nosso meio, são manchetes de primeira capa nos principais jornais ou nos noticiários de rádio e televisão em vários dias sucessivos. | ![]() |
| De outro lado, as doenças endêmicas
nos atribulam de uma maneira muito mais insidiosa: vem se instalando lentamente,
de forma a fazer com que progressivamente venhamos a nos acostumar com seus
efeitos e a mudar nossos parâmetros e expectativas para acomodar sua
conseqüências dentro de uma "realidade aceitável".
Fazemos essas reflexões por conta da recente emergência dos
problemas relacionados com a síndrome da refugagem multissistêmica
e/ou da síndrome da dermatite e nefropatia em nosso país.
Essas doenças, de causa ainda não totalmente definida, estão
mudando a nossa maneira de perceber a sanidade em suínos. Por falta de alternativas claras de controle, somos obrigados a adotar novas expectativas para alguns parâmetros básicos de produção, como mortalidade nas creches e terminações e taxas de eficiência alimentar e ganho de peso nas fases finais de produção. Como lição dessa crise, fica evidente que a intensificação dos métodos de produção deve ter um limite. Entre as medidas que apresentam um sucesso pelo menos relativo no controle das infecções, situam-se exatamente os pontos centrais das nossas normas mais fundamentais de bom manejo, higiene, desinfecção, vazio sanitário, nutrição, instalações, bem estar animal e controle sanitário geral. Nos diversos países em que se apresenta, esse tipo de doença tem uma história comum: a necessidade de redução de custos pelas sucessivas crises com que passa a suinocultura gera piora em todos os parâmetros citados acima, o que faz com que infecções que até então vinham se mantendo "silenciosas" passem a exercitar a sua verdadeira potencialidade patogênica. É hora de um recuo para parâmetros de produção minimamente amigáveis e aceitáveis aos nossos animais que, de uma maneira indireta mas clara, estão a nos indicar que os limites vem sendo ultrapassados. Na edição atual, nosso artigo central foca a principal forma de infecção associada com a síndrome da refugagem multissistêmica: a infecção por Haemophilus parasuis (doença de Glasser). Acreditamos dessa forma estar contribuindo para informar o produtor sobre formas efetivas de minimizar os efeitos dessa verdadeira crise sanitária pela qual estamos passando. Um outro destaque é uma análise bioeconômca da técnica de inseminação artificial intra-uterina. Essa nova tecnologia mostra um grande potencial para aplicação prática em nosso meio e alguns avanços recentes em seu uso são abordados na presente Suinocultura em Foco. Bom proveito. |
|
| volta | |