Intoxicação
por zearalenona.
A zearalenona (toxina F-2) é sintetizada por diferentes espécies
de fungos do gênero Fusarium, os quais podem estar presentes em
alguns cereais como o milho, trigo e cevada, componentes das rações
comerciais de suínos. O fungo se estabelece antes da colheita e
continua a se desenvolver durante o armazenamento, enquanto o teor de
umidade dos grãos for elevado. A zearalenona é uma toxina
estrogênica, desta maneira tem a capacidade de afetar o desempenho
reprodutivo de fêmeas suínas. Nos suínos, grande parte
da zearalenona é conjugada ao ácido glicurônico e,
então, reduzida à alfa-zearalenol, o que aumenta sua ação
estrogênica em 10 vezes. O efeito estrogênico da zearalenona
é mediado pela ligação da micotoxina ao receptor
citoplasmático de estrógeno e sua ação varia
de acordo com a idade, a fase da vida reprodutiva e da concentração
da toxina na dieta. Rações com concentrações
acima de 1 ppm já podem promover o surgimento da intoxicação.
Os sinais mais observados são retorno irregular ao estro, anestro,
pseudo-gestação, ciclo estral irregular em leitoas, perdas
embrionárias, nascimento de leitões fracos e aumento de
natimortos.
Em leitoas pré-púberes (1-6 meses de idade) relata-se a
síndrome do hiperestrogenismo, a qual provoca edema, avermelhamento
de vulva e aumento de volume das mamas. Estas alterações
podem ser sugestivas de estro, porém não há reflexo
de tolerância ao macho e nem resposta positiva à pressão
lombar. As leitoas podem apresentar prolapso de reto e vagina e há
redução no consumo de ração. Em porcas há
um aumento no intervalo desmame-estro e relata-se uma redução
no tamanho da leitegada, assim como uma diminuição no peso
dos leitões, quando alimentadas com ração contaminada
durante a gestação.
O mais importante é prevenir a intoxicação do rebanho,
uma vez que quando esta é constatada, provavelmente a maior parte
da ração já tenha sido consumida. O uso de adsorventes
de micotoxinas, o tratamento dos grãos com antifúngicos,
o uso de óleos essenciais, a secagem e armazenamento adequados
dos ingredientes e o monitoramento laboratorial periódico são
medidas importantes na prevenção da contaminação
por toxinas fúngicas. Na granja, recomenda-se cuidados na manutenção
e limpeza periódica dos cochos e silos.
|