Pitiríase Rósea em suínos (Dermatite psoriformesuína)

Fabiano Bonfim Carregaro(foto), Laerte Ferreiro, Evandro Nottar, William Asonome, David E. Barcellos

UFRGS – FAVET - SETOR DE SUÍNOS, Av. Bento Gonçalves, 9090, CEP 91540-000, Porto Alegre – RS

INTRODUÇÃO

A suinocultura brasileira encontra-se hoje em um nível técnico/tecnológico de destaque no contexto mundial. Vários avanços foram obtidos nas décadas de 80-90 e até os dias atuais muito é realizado para o contínuo desenvolvimento de metodologias para facilitar os trabalhos de campo. Descobertas na área da reprodução, sanidade, manejo e genética suína foram cruciais para que o Brasil assumisse tal importância neste cenário. Produzimos o quilo de carne suína mais barato do mundo, porém ainda temos muita dificuldade em abrir e manter novos mercados externos e internos de consumo. Barreiras comerciais são estratégias cada vez mais utilizadas para a não aceitação de nossos produtos em países estrangeiros, principalmente barreiras sanitárias, sendo um enorme desafio nos dias atuais a organização do setor para vencer essas dificuldades.
O setor sanitário, em todas as espécies animais, terá cada vez maior importância nos aspectos de saúde pública e controle de rebanhos que venham a se adequar às exigências do mercado externo. Existem várias doenças que ainda fogem ao nosso controle ou são completamente desconhecidas por técnicos de campo. Estas serão cada vez mais pesquisadas e desvendadas para que possamos garantir a qualidade e avanços em nosso setor.
Dentro destas está a Pitiríase Rósea, hoje chamada também de Dermatite Pustular Psoriforme, doença comum nas criações de suínos em nosso meio, mas de etiologia obscura. Ela provavelmente traga mais prejuízos do que podemos imaginar, devido a fatores como:
Condenação de carcaças dos animais com quadros agudos;
Abertura de porta de entrada para outras infecções;
Eliminação de animais recuperáveis;
Uso desnecessário de medicamentos;
Aumento de bactérias resistentes a antimicrobianos.

O nome Dermatite Pustular Psoriforme Suína foi sugerido para substituir Pitiríase Rósea por Dunstan and Rosser em 1986, após a constatação de que havia grandes diferenças entre as características da doença em suínos e humanos (de onde o nome Pitiríase Rósea fora “tomado emprestado” durante vários anos).

HISTÓRICO

A doença começou a ser percebida e estudada na década de 60, onde são verificados os primeiros relatos de casos e pesquisas em países europeus como Irlanda (Corcoran, 1964, Hall & Mclean, 1965) e Inglaterra (Crashaw, 1964).
Estes trabalhos sugerem uma possível causa genética envolvida no processo patológico desta dermatite. Trabalhos posteriores, da década de 70 em diante, iniciaram estudos que possibilitaram um melhor entendimento dos aspectos histopatológicos, hematológicos e bioquímicos, o que auxiliou no entendimento desta patologia (Kimura & Doi, 2004).

ETIOLOGIA

A causa da patologia ainda permanece obscura, porém vários indícios direcionam para uma etiologia genética que aparentemente está mais relacionada a suínos da raça Landrace (Wellmann, 1963; Crashaw, 1964; Hall & Mclean, 1965; Kimura & Doi, 2004). O relato de Wellmann (1963), em que leitões nascidos sobre condições estéreis (leitões gnobióticos) desenvolveram a doença após algumas semanas e as tentativas de demonstrar sem sucesso a presença de agentes infecciosos nas lesões reforçam essa suposição.

PATOGENIA E SINAIS CLÍNICOS

É uma doença presente em leitões jovens, com 2 a 14 semanas de idade, principalmente os que cursam ou acabaram de passar por períodos de distúrbios digestivos, como inapetência, vômitos e diarréia (Cameron, 1999).
O primeiro sinal é o aparecimento de pequenas pápulas eritematosas na porção ventral do animal, com bordos elevados e coloração avermelhada. Essas logo se espalham de forma centrífuga, confluindo-se em grandes áreas anelares. Conforme a doença progride a área interna edemaciada regride, notando-se um aspecto escamoso, muitas vezes escuro, na área cicatrizada. Seu halo hiperêmico (bordas dos anéis) logo assume características serpentiformes proeminentes (Hall & Mclean, 1965; Doster, 1995).
Até o presente momento não foi relatado nenhum prejuízo ou desconforto para o animal afetado e as lesões tendem a desaparecer de forma espontânea em aproximadamente 4 semanas. (Kimura & Doi, 2004).

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico é quase sempre realizado de forma clínica. Porém alguns recursos adicionais podem ser usados para confirmar a suspeita, como a histopatologia, cultivo bacteriano e exame micológico. O diagnóstico costuma ser validado pelo acompanhamento da involução das lesões com o passar das semanas.
O uso das 3 técnicas complementares mencionadas acima praticamente eliminam a possibilidade de erro no diagnóstico, já que pelo exame histopatológico as lesões causadas nos processos de Dermatite Pustular Psoriforme são bastante características. As outras duas técnicas são utilizadas como complemento para o entendimento da lesão em questão, já que nos casos de Dermatite Pustular Psoriforme o envolvimento de agentes patológicos é muito raro (Doster, 1995; Kimura & Doi, 2004). Algumas patologias podem apresentar lesões com diferentes graus de similaridade com a Pitiríase Rósea e devem ser consideradas para o diagnóstico diferencial. As principais são:
· Dermatomicoses;
· Dermatose vegetante;
· Dermatite pustular;
· Epidermite exsudativa;
· Varíola.

CONTROLE

Algumas ações de controle já foram testadas empiricamente, como utilização de antimicrobianos injetáveis e soluções tópicas com enxofre. Nenhuma mostrou eficácia (Corcoran, 1964). Dessa forma, aconselha-se apenas manter os animais em ambiente limpo, evitando a aplicação de produtos como antibióticos ou desinfetantes, que acrescentam custos desnecessários ao tratamento, sem a comprovação científica ou prática de eficácia.
Na prática, o maior desafio na maioria das vezes é o de convencer o produtor a não fazer nada, pois a severidade macroscópica das lesões (Figuras 1 e 2) pressiona a pessoa não familiarizada com a patologia a tentar alguma forma de intervenção terapêutica.



Bibliografia

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