INTRODUÇÃO
A suinocultura brasileira encontra-se hoje em um nível
técnico/tecnológico de destaque no contexto mundial. Vários
avanços foram obtidos nas décadas de 80-90 e até
os dias atuais muito é realizado para o contínuo desenvolvimento
de metodologias para facilitar os trabalhos de campo. Descobertas na área
da reprodução, sanidade, manejo e genética suína
foram cruciais para que o Brasil assumisse tal importância neste
cenário. Produzimos o quilo de carne suína mais barato do
mundo, porém ainda temos muita dificuldade em abrir e manter novos
mercados externos e internos de consumo. Barreiras comerciais são
estratégias cada vez mais utilizadas para a não aceitação
de nossos produtos em países estrangeiros, principalmente barreiras
sanitárias, sendo um enorme desafio nos dias atuais a organização
do setor para vencer essas dificuldades.
O setor sanitário, em todas as espécies animais, terá
cada vez maior importância nos aspectos de saúde pública
e controle de rebanhos que venham a se adequar às exigências
do mercado externo. Existem várias doenças que ainda fogem
ao nosso controle ou são completamente desconhecidas por técnicos
de campo. Estas serão cada vez mais pesquisadas e desvendadas para
que possamos garantir a qualidade e avanços em nosso setor.
Dentro destas está a Pitiríase Rósea, hoje chamada
também de Dermatite Pustular Psoriforme, doença comum nas
criações de suínos em nosso meio, mas de etiologia
obscura. Ela provavelmente traga mais prejuízos do que podemos
imaginar, devido a fatores como:
Condenação de carcaças dos animais com quadros agudos;
Abertura de porta de entrada para outras infecções;
Eliminação de animais recuperáveis;
Uso desnecessário de medicamentos;
Aumento de bactérias resistentes a antimicrobianos.
O nome Dermatite Pustular Psoriforme Suína foi sugerido
para substituir Pitiríase Rósea por Dunstan and Rosser em
1986, após a constatação de que havia grandes diferenças
entre as características da doença em suínos e humanos
(de onde o nome Pitiríase Rósea fora “tomado emprestado”
durante vários anos).
HISTÓRICO
A doença começou a ser percebida e estudada
na década de 60, onde são verificados os primeiros relatos
de casos e pesquisas em países europeus como Irlanda (Corcoran,
1964, Hall & Mclean, 1965) e Inglaterra (Crashaw, 1964).
Estes trabalhos sugerem uma possível causa genética envolvida
no processo patológico desta dermatite. Trabalhos posteriores,
da década de 70 em diante, iniciaram estudos que possibilitaram
um melhor entendimento dos aspectos histopatológicos, hematológicos
e bioquímicos, o que auxiliou no entendimento desta patologia (Kimura
& Doi, 2004).
ETIOLOGIA
A causa da patologia ainda permanece obscura, porém vários
indícios direcionam para uma etiologia genética que aparentemente
está mais relacionada a suínos da raça Landrace (Wellmann,
1963; Crashaw, 1964; Hall & Mclean, 1965; Kimura & Doi, 2004).
O relato de Wellmann (1963), em que leitões nascidos sobre condições
estéreis (leitões gnobióticos) desenvolveram a doença
após algumas semanas e as tentativas de demonstrar sem sucesso
a presença de agentes infecciosos nas lesões reforçam
essa suposição.
PATOGENIA E SINAIS CLÍNICOS
É uma doença presente em leitões jovens,
com 2 a 14 semanas de idade, principalmente os que cursam ou acabaram
de passar por períodos de distúrbios digestivos, como inapetência,
vômitos e diarréia (Cameron, 1999).
O primeiro sinal é o aparecimento de pequenas pápulas eritematosas
na porção ventral do animal, com bordos elevados e coloração
avermelhada. Essas logo se espalham de forma centrífuga, confluindo-se
em grandes áreas anelares. Conforme a doença progride a
área interna edemaciada regride, notando-se um aspecto escamoso,
muitas vezes escuro, na área cicatrizada. Seu halo hiperêmico
(bordas dos anéis) logo assume características serpentiformes
proeminentes (Hall & Mclean, 1965; Doster, 1995).
Até o presente momento não foi relatado nenhum prejuízo
ou desconforto para o animal afetado e as lesões tendem a desaparecer
de forma espontânea em aproximadamente 4 semanas. (Kimura &
Doi, 2004).
DIAGNÓSTICO
O diagnóstico é quase sempre realizado de
forma clínica. Porém alguns recursos adicionais podem ser
usados para confirmar a suspeita, como a histopatologia, cultivo bacteriano
e exame micológico. O diagnóstico costuma ser validado pelo
acompanhamento da involução das lesões com o passar
das semanas.
O uso das 3 técnicas complementares mencionadas acima praticamente
eliminam a possibilidade de erro no diagnóstico, já que
pelo exame histopatológico as lesões causadas nos processos
de Dermatite Pustular Psoriforme são bastante características.
As outras duas técnicas são utilizadas como complemento
para o entendimento da lesão em questão, já que nos
casos de Dermatite Pustular Psoriforme o envolvimento de agentes patológicos
é muito raro (Doster, 1995; Kimura & Doi, 2004). Algumas patologias
podem apresentar lesões com diferentes graus de similaridade com
a Pitiríase Rósea e devem ser consideradas para o diagnóstico
diferencial. As principais são:
· Dermatomicoses;
· Dermatose vegetante;
· Dermatite pustular;
· Epidermite exsudativa;
· Varíola.
CONTROLE
Algumas ações de controle já foram
testadas empiricamente, como utilização de antimicrobianos
injetáveis e soluções tópicas com enxofre.
Nenhuma mostrou eficácia (Corcoran, 1964). Dessa forma, aconselha-se
apenas manter os animais em ambiente limpo, evitando a aplicação
de produtos como antibióticos ou desinfetantes, que acrescentam
custos desnecessários ao tratamento, sem a comprovação
científica ou prática de eficácia.
Na prática, o maior desafio na maioria das vezes é o de
convencer o produtor a não fazer nada, pois a severidade macroscópica
das lesões (Figuras 1 e 2) pressiona a pessoa não familiarizada
com a patologia a tentar alguma forma de intervenção terapêutica. |
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