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Indução da Puberdade em Leitoas de Reposição André Cavalheiro Schenkel, Cristiane da S. D. Furtado, Rafael Kummer, Fernando P. Bortolozzo, Ivo Wentz UFRGS - Setor de Suínos, Av. Bento Gonçalves 9090, CEP 91540-000, P. Alegre, RS. |
As fêmeas de reposição representam uma categoria de grande importância dentro do plantel de reprodução de uma granja. Com a taxa de reposição de matrizes praticada pela suinocultura tecnificada, da ordem de 35 a 50%, essa categoria compõe em torno de 16 a 20% de cada grupo de cobertura. Para que estas fêmeas estejam prontas para serem cobertas, atenção especial deverá ser dada a elas desde a sua entrada na granja. Deve-se considerar que esta categoria possui um alto custo de aquisição e apresenta um longo período improdutivo que vai desde a introdução na granja até a primeira cobertura, sendo responsáveis por cerca e 40% do total dos dias não produtivos de uma granja. Outro ponto importante é que as perdas econômicas com esta categoria animal podem representar altos prejuízos quando estas forem mal manejadas, principalmente quando apresentam puberdade atrasada. Neste caso, quando descartadas, terão apenas parte do seu valor reembolsado referente ao seu peso no momento do abate. Diante disso, deve-se buscar maximizar a eficiência da utilização destes animais permitindo que apresentem o primeiro estro o mais cedo possível e que sempre haja fêmeas cíclicas em número suficiente aptas para serem cobertas em cada grupo de cobertura. Para essas fêmeas, algumas características importantes devem ser observadas como a idade, a ciclicidade(número de estros), a reserva corporal e a saúde geral dos animais à primeira cobertura. Através da aplicação de práticas de manejo adequadas é possível reduzir a idade à puberdade das leitoas e contribuir para uma sincronização de estros. É importante reconhecer estes aspectos além da necessidade de disciplina e rigor, para que a realização da estimulação resulte em antecipação da puberdade. Manejo para indução da puberdade na leitoa A puberdade na fêmea suína tende a acontecer
espontaneamente ao redor dos 190 - 210 dias de idade e pode ser definida
como, a ocorrência do primeiro estro com conseqüente ovulação
e manutenção da ciclicidade. Alguns fatores influenciam
este surgimento, sendo principalmente o peso, a idade, o genótipo,
a nutrição, fatores climáticos, aspectos sociais
e a interação homem-animal (Bortolozzo & Wentz, 1999).
A indução da puberdade tem como objetivo antecipar o surgimento
do primeiro estro e facilitar todo o manejo subseqüente. As leitoas
respondem bem a alguns estímulos associados ao transporte, ao novo
alojamento com a mistura de animais e, principalmente, a exposição
ao macho. Transporte e Alojamento: O transporte ou translado das leitoas, associado ao novo ambiente da granja onde são alojadas bem como a mistura dos animais favorece a estimulação de cio devido ao estresse gerado por este manejo. A determinação do número de leitoas em cada lote pode ser variável sendo influenciado pelo desenho e área das baias existentes na granja. Segundo Bortolozzo & Wentz (1999) deve-se procurar manter uma área disponível de pelo menos 1,5m2 por fêmea e evitar a formação de grupos muito grandes. Quando a área disponível e o número de animais por baia são desrespeitados podem ocorrer dificuldades na estimulação bem como na detecção do estro, podendo como conseqüência haver atrasos na puberdade, ocorrência de cios atípicos e falhas na identificação de cio. Na prática têm sido recomendado a utilização de grupos com 6 a 12 leitoas, mas bons resultados também podem ser obtidos com grupos maiores (até 15-20 animais). Entretanto, é preciso estar ciente de que à medida que aumenta o número de animais por baia, também devem aumentar os cuidados e a atenção com o manejo, para que sejam mantidos os mesmos níveis satisfatórios quanto à antecipação da puberdade.
Efeito Macho: Entre os procedimentos utilizados para a indução
da puberdade, a exposição das leitoas a um macho inteiro
(não castrado) e sexualmente maduro é o manejo que tem demonstrado
os melhores resultados. Através do efeito macho é possível
obter um bom número de leitoas apresentando estro após o
início da estimulação mesmo quando este é
realizado a partir de idades diferentes. Na tabela 1, analisando dados
de diferentes autores que avaliaram o percentual de fêmeas apresentando
estro em diferentes períodos é possível verificar
os índices de leitoas respondendo ao manejo após o início
da estimulação. O efeito macho é composto por um
sinergismo entre o estímulo olfativo proporcionado pelos feromômios
e os estímulos físicos (táteis), visuais, auditivos
(Hughes et al., 1990). O estímulo olfativo é considerado
um dos mais importantes, mas este estímulo isoladamente, não
é suficiente para desencadear o estro. Avaliando o efeito dos diferentes
estímulos para desencadear estro em leitoas é possível
perceber que os melhores resultados são alcançados quando
há uma combinação dos estímulos (tabela 2).
Tem sido demonstrado que o contato direto de leitoas com os ferormônios
3 androstenol e 5 androstenona é o principal fator para estimular
a puberdade. Estas substâncias estão presentes na saliva
de machos sexualmente maduros e podem ser captadas pela fêmea através
do contato naso-nasal. Os feromônios proporcionam estímulos
sobre o sistema endócrino desencadeando a puberdade. É recomendado
o uso de machos com idade superior a 10 meses, por apresentarem quantidades
satisfatórias de feromônios na saliva (Hughes et al.,0).
O manejo com o macho deve ser iniciado imediatamente após a entrada
das leitoas na granja, devendo ser realizado duas vezes ao dia (Bortolozzo
e Wentz, 1999). O macho deve permanecer e circular na baia das fêmeas
por um período aproximado de 10 minutos, assegurando o contato
direto com todas as leitoas (figura 1) (Wentz e Bortolozzo, 1999). Para
garantir o correto diagnóstico, estimulação e integridade
das leitoas, se faz necessário a presença de um funcionário
durante todo o manejo. Na rotina de estimulação e detecção
dos estros deve-se evitar que o macho monte nas leitoas para evitar lesões
ou coberturas indesejadas. Outra prática sugerida é realizar
a rotação de machos, que pode proporcionar um estímulo
maior trazendo melhores resultados no manejo das leitoas. Hormonioterapia: Esta prática consiste na utilização de uma combinação dos hormônios exógenos eCG (Gonadotrofina coriônica eqüina) e hCG (Gonadotrofina coriônica humana) para a obtenção de desenvolvimento folicular e ovulação em leitoas que nunca apresentaram atividade cíclica. Espera-se que com o uso desta técnica cerca de 80 a 90% das fêmeas apresentem o primeiro estro em um intervalo médio de quatro dias. Essa combinação hormonal não apresentará resultados no caso de fêmeas cíclicas. Os maiores benefícios de sua utilização seriam obtidos no sentido de induzir o 1° estro nas leitoas acíclicas/em anestro (que não apresentam o primeiro estro) após terem sido submetidas ao manejo correto com o macho por um período de 20 a 30 dias. Seria possível empregar este tratamento naquele grupo de fêmeas que foi corretamente manejado a partir dos 150-160 dias de idade, e que até os 185-190 dias não manifestaram estro. É recomendado que a cobertura/inseminação artificial seja realizada sempre no segundo estro após a administração dos hormônios. Como as leitoas induzidas hormonalmente apresentam o estro entre 3 a 5 dias após a indução, estas sendo cobertas no estro seguinte estariam com a idade à primeira cobertura mais próxima daquela recomendada pela maioria das genéticas (> 210 dias). |
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| Mistura dos Lotes ou Reagrupamento: | |
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Com o intuito de otimizar
o manejo, novos lotes podem ser formados através do reagrupamento
das leitoas de acordo com a manifestação do estro por dia
ou em dias próximos (Figura 3). Sendo assim, à medida que
as fêmeas demonstram o primeiro estro (Fêmeas A e B), essas
vão sendo alojadas em novas baias formando novos grupos. Este manejo
permite uma sincronização dentro de cada novo grupo e, desta
maneira, facilita e agiliza o manejo de detecção dos estros
subseqüentes, pois são conhecidas as datas aproximadas de
manifestação do segundo e terceiro estro. Conclusão O manejo correto para a indução à puberdade da leitoa está diretamente relacionado com a maximização da sua produtividade dentro do plantel de reprodutoras. As falhas no manejo da leitoa podem resultar em aspectos indesejáveis como atraso na idade a puberdade e aumento dos dias não produtivos. Conhecer e aplicar corretamente o manejo com as leitoas irá permitir que um número suficiente de animais apresente o primeiro cio em um espaço de tempo reduzido, possibilitando aumentar a eficiência produtiva. |
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| Sempre existirão fêmeas atrasadas ou não sincronizadas. Para estas deve ser dado um prazo limite para a entrada em cio, que pode ser determinado pela granja. O percentual de leitoas que não manifestaram estro até 200-220 dias de idade, quando manejadas corretamente, deve ser inferior a 5%. Nesse caso as fêmeas acíclicas deveriam ser descartadas por anestro e se possível realizar o acompanhamento reprodutivo ao abate. Caso o percentual de fêmeas em anestro nesta idade seja superior ao descrito, os procedimentos de indução à puberdade devem ser revistos. O ser humano é outro aspecto bastante importante. É preciso lembrar que um manejo bem conduzido é o fator determinante para o sucesso de qualquer programa de indução à puberdade. Para tal, os funcionários responsáveis pelo manejo das leitoas devem compreender a função que desempenham e estarem capacitados e motivados para obterem os resultados esperados. Através da aplicação correta das técnicas disponíveis é possível atingir bons resultados. | |
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Bibliografia
BORTOLOZZO, F. P.; WENTZ, I. Manejo reprodutivo
da fêmea suína de reposição. A Hora Veterinária,
n. 110, p. 47-55, 1999. |
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