Fatores Associados a Soroprevalência de Salmonella em Rebanhos de Suínos

EMBRAPA Suínos e Aves
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Doutoranda: Jalusa Deon Kich*
Orientador: Marisa Ribeiro de Itapema Cardoso.

Um estudo transversal foi utilizado para identificar fatores associados à prevalência de suínos sorologicamente positivos para Salmonella nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. As 65 granjas, distribuídas em 33 granjas de ciclo completo e 32 unidades de terminação, foram visitadas uma semana antes do abate dos animais para aplicação de questionário e coletas de ração e sangue. A ração foi submetida à pesquisa de Salmonella por isolamento e PCR. Foram testados soros de aproximadamente 40 leitões de cada propriedade utilizando ELISA com antígeno do sorovar Typhimurium. Após a análise de distribuição da prevalência, as granjas foram classificadas em três categorias, baixa (até 40%), média (40-70%) e alta (mais de 70%). Estas categorias constituíram a variável explicada e a pesquisa de Salmonella na ração e as respostas do questionário, as variáveis explicativas. Inicialmente, a associação entre as variáveis explicativas e a explicada foi estudada pelo teste de 2.
As variáveis associadas (P 0,1) foram submetidas à análise fatorial de correspondência múltipla, a qual identificou a associação da maior soroprevalência com o seguinte conjunto de variáveis: nas granjas terminadoras, uso de ração peletizada, distribuição de dejetos a menos de 100m do local de captação de água, não utilização de comedouro do modelo comedouro/bebedouro, transporte com freteiro misturando animais de várias granjas. Já nas granjas de ciclo completo, ingredientes de ração desprotegidos de outros animais, ausência de controle de roedores, ração seca, ausência de cerca, não uso da pintura com cal após lavagem e desinfecção e a entrada de pessoas externas à granja, apresentaram-se fatores preponderantes nesta análise de risco.
Em 48% das amostras de água (100ml) 23 NMP ou mais coliformes fecais foram detectados, caracterizando-as como não potáveis. O isolamento de Salmonella da ração não ocorreu em frequência suficiente para mostrar associação no teste de 2. A colimetria, embora tenha denunciado uma situação indesejável de contaminação fecal na ração e água não foi identificada como fator de risco.
Os modelos de comedouro que apresentaram associação com alta soroprevalência correspondem aqueles onde os animais conseguem pisar na ração, aumentando a contaminação fecal. Sendo os ratos portadores de Salmonella Typhimurium (Davis & Wray, 1997), a ausência de um programa de controle resulta em grande infestação, mantendo a transmissão da Salmonella ativa entre os suínos.
A ração na forma líquida, contendo ingredientes fermentados produtores de ácidos orgânicos, foi identificada como fator de proteção à infecção por Van Der Wolf et al. (2001). A associação do não uso da caiação com alta soroprevalência para Salmonella retrata as condições de higiene da granja.
Das 65 granjas visitadas, 98,5% foram ELISA positivas, com prevalência variando entre 0 e 100%.
Os fatores de risco deste estudo devem ser validados após eliminação dos mesmos nas granjas e realização de nova avaliação da soroprevalência de Salmonella nos rebanhos. A partir disso, será possível a elaboração de um protocolo de intervenção em granjas de suínos para o controle da infecção por Salmonella.

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