Técnica de Necropsia

André Mendes Ribeiro Corrêa(foto); Milene Schmitz; David Driemeier.

UFRGS - Setor de Patologia Veterinária, Av. Bento Gonçalves 9090, CEP 91540-000, P. Alegre, RS.



Introdução:

A necropsia é uma ferramenta importantíssima no diagnóstico de doenças suínas. Ela pode indicar a causa mortis do animal e auxilia na comprovação da suspeita clínica. Pode também apoiar o estabelecimento de medidas preventivas e medicamentosas e possibilitar o conhecimento da patogenia das infecções, auxiliando no monitoramento do estado sanitário dos plantéis. É recomendável realizar uma anamnese prévia para conhecer o histórico do problema no plantel e que durante a necropsia se faça uma observação completa da carcaça e de suas vísceras. É preciso fazer uma coleta correta de materiais para os exames complementares, como histopatológicos, virológicos e bacteriológicos de acordo com a suspeita clínica. Os materiais destinados para histologia devem ser fixados em formol a 10%, sendo um fragmento de cada víscera. Os materiais para exames microbiológicos e parasitológicos devem ser coletados logo após a abertura da cavidade abdominal e torácica, conservados sob refrigeração e remetidos ao laboratório competente no menor tempo possível. No caso da coleta de segmentos intestinais, esses devem ser coletados, fechados com um barbante ou formando um nó com a própria alça intestinal logo após a eutanásia do animal.

A seguir, serão apresentados de uma forma gráfica os principais passos para a realização de uma necropsia, com a finalidade de servir de apoio para a realização criteriosa dessa importante ferramenta de diagnóstico veterinário.



Figura 1: Exame externo do cadáver, em ambos os lados. Procurar observar toda e qualquer alteração na pele, cascos, articulações e mucosas.


Figura 2: Exemplo de alteração "post mortem", Livor mortis. É uma alteração sem significado patológico.


Figura 3: Animal em decúbito dorsal. Observar as marcações que foram realizadas nos locais em que devem ser feitos os cortes (desmembramento) com a faca.


Figura 4: Separação dos membros anteriores do corpo, secção na musculatura peitoral. Desarticulação da articulação coxofemural.
Os membros estão estendidos lateralmente e o animal fica mantido numa posição estável de decúbito dorsal.


Figura 5: Abertura da cavidade abdominal. Incisão na linha média, desde o apêndice xifóide até o púbis. Lateralmente, abertura na musculatura abdominal, a partir da incisão central, acompanhando o arco costal na altura da última costela, até a região dorsal. Essa abertura possibilita a verificação da presença de líquidos e coleta para exames complementares, quando necessário.


Figura 6: Corte das costelas na altura das junções costo-condrais com um costótomo (podão), no sentido caudo-cranial, a partir da última costela. A seguir é realizada a remoção do plastrão esternal com a faca. Na ausência de costótomo, fazer a incisão com faca nas junções costo condrais no sentido crânio-caudal, iniciando nas primeiras costelas.


Figura 7: Exame das víceras e torácicas in situ. Deve-se verificar se há ou não alteração de posições das mesmas. Neste ponto considerar a necessidade da coleta de material para ezames microbiológicos complementares.


Figura 8: Retirada do baço e omento.


Figura 9: Secção do reto e observação da consistência e coloração das feses.


Figura 10: Retirada dos intestinos delgado e grosso. Secção anterior que deve ser feita no duodeno, na parte posterior ao pâncreas.


Figura 11: Exame das porções intestinais: reto, cólon, íleo, e jejuno, com cortes transversais segmentares de todas as porções.


Figura 12: Retirada do fígado e do estômago. Secção do fígado para observação de lesões.


Figura 13: Corte na curvatura maior do estômago, iniciando pelo duodeno e observação da mucosa na região do quadrilátero esofágico.



Figura 14: Remoção dos rins e adrenais.



Figura 15: Corte dos rins longitudinalmente, em duas metades iguais. Após o corte deve-se retirar a cápsula.


Figura 16: Local de incisãona face lateral interna da mandíbula, de modo a remover a língua. Secção do palato mole, desarticulação dos ossos hióides e remoção como um monobloco das seguintes vísceras: língua, laringe, traquéia, esôfago, coração e pulmão.


Figura 17: Abertura do esôfago e traquéia e observação do pulmão.


Figura 18: Abertura do coração no lado direito faz-se uma secção na entrada da veia cava cranial e caudal, indo até a ponta da aurícula e, depois, seguindo o fluxo do sangue pelo septo, saindo na artéria pulmonar.


Figura 19: Secção do ventrículo esquerdo, através de corte longitudinal na porção média sobre o átrio e ventrículo, seccionando a parede.


Figura 20: Cabeça com a pele e músculos dissecados. Marcação no limite anterior da cavidade craniana, levemente posterior ais processos supraorbitais. (na altura do canto lateral da pálpebra), ventro-lateral ao arco zigomático e caldalmente até o forâmen magnum para incisão. Remoção da calota craniana.


Figura 21: Retirada da meninge e exposição do cérebro e cerebelo.


Figura 22: Retirada do sistemana nervoso central completo, hemisférios cerebrais, cerebelo e tronco ancefálico.

 

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