AÇÕES INTEGRADAS

Prof. Dr. David Barcellos
Os avanços nos sistemas de produção animal vêm criando necessidade de mudanças fortes e permanentes nas nossas formas de pensar a suinocultura, em especial em relação aos sistemas de controle sanitário. Recentemente, tivemos um exemplo emblemático na programação da Conferência Al Leman, realizada na primeira quinzena de setembro em Minnesota, Estados Unidos da América. Todo um módulo do Congresso foi dedicado ao controle regional de doenças. Esse conceito foi gerado a partir dos problemas que americanos tiveram para erradicar ou para controlar a Síndrome Reprodutiva e Respiratória dos Suínos (SRRS) até o momento em que tentaram trabalhar considerando as granjas ou companhias individualmente. Usando essa abordagem, ocorreu uma frustração generalizada, por falhas no controle ou

ocorrência de recidivas nos rebanhos em que, num primeiro momento, a situação havia aparentemente melhorado. Os problemas foram traçados à falta de coordenação regional entre as granjas ou empresas integradoras, o que gerou diferenças nos “status” sanitários e facilitou a circulação e transferência de patógenos entre granjas livres e contaminadas situadas em áreas próximas. Nesse particular, ficou evidente o papel de transmissão de infecção por movimento de insetos entre granjas vizinhas ou pelo trânsito regional de caminhões.

O sucesso passou a ocorrer no momento em que foi adotado um novo enfoque para a erradicação, realizando os trabalhos em regiões, numa ação conjunta entre diferentes empresas e granjas, sem considerar unidades individuais. Cabe destacar a maneira franca e aberta com que as diferentes empresas apresentaram e discutiram os “status” sanitários de suas diversas granjas. Uma delas, inclusive, disponibilizou uma lista das doenças presentes em cada uma de suas unidades de produção na Internet. Não seria a hora de pensar para o Brasil numa maior interação entre as agroindústrias, produtores e serviço oficial em trabalhos sanitários conjuntos?

Existem exemplos de ações desse tipo entre nós com histórico de sucesso, como as medidas que foram recentemente tomadas no Rio Grande do Sul para a erradicação da Doença de Aujeszky e em Santa Catarina no programa estadual de erradicação dessa enfermidade. Nesses, a união dos produtores, indústria, entidades ligadas à suinocultura e uma coordenação por parte de órgãos oficiais têm permitido uma ação integrada eficaz, abordando o problema sistemicamente e atuando de uma maneira realmente definitiva. Um outro exemplo positivo é a recente iniciativa do Sindicato da Indústria de Produtos suínos do Rio Grande do Sul na criação do Comitê de Qualidade Industrial, mais uma vez buscando integrar atividades, buscando o progresso da suinocultura através de uma ação conjunta.

Na edição atual, nosso artigo central apresenta uma revisão fotográfica sobre a técnica de necropsia em suinocultura. O estudo de alterações patológicas de animais mortos tem sido uma ferramenta bastante negligenciada na rotina de atuação veterinária em nosso meio, esperamos que com as informações do nosso artigo central os colegas possam encontrar um apoio no sentido de fomentar essa atividade, que julgamos fundamental.

Bom proveito.

David Barcellos

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