| Os avanços nos sistemas de produção
animal vêm criando necessidade de mudanças fortes e permanentes
nas nossas formas de pensar a suinocultura, em especial em relação
aos sistemas de controle sanitário. Recentemente, tivemos um exemplo
emblemático na programação da Conferência Al
Leman, realizada na primeira quinzena de setembro em Minnesota, Estados
Unidos da América. Todo um módulo do Congresso foi dedicado
ao controle regional de doenças. Esse conceito foi gerado a partir
dos problemas que americanos tiveram para erradicar ou para controlar a
Síndrome Reprodutiva e Respiratória dos Suínos (SRRS)
até o momento em que tentaram trabalhar considerando as granjas ou
companhias individualmente. Usando essa abordagem, ocorreu uma frustração
generalizada, por falhas no controle ou |
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| ocorrência de recidivas nos rebanhos
em que, num primeiro momento, a situação havia aparentemente
melhorado. Os problemas foram traçados à falta de coordenação
regional entre as granjas ou empresas integradoras, o que gerou diferenças
nos “status” sanitários e facilitou a circulação
e transferência de patógenos entre granjas livres e contaminadas
situadas em áreas próximas. Nesse particular, ficou evidente
o papel de transmissão de infecção por movimento
de insetos entre granjas vizinhas ou pelo trânsito regional de caminhões.
O sucesso passou a ocorrer no momento em que foi adotado um novo enfoque
para a erradicação, realizando os trabalhos em regiões,
numa ação conjunta entre diferentes empresas e granjas,
sem considerar unidades individuais. Cabe destacar a maneira franca e
aberta com que as diferentes empresas apresentaram e discutiram os “status”
sanitários de suas diversas granjas. Uma delas, inclusive, disponibilizou
uma lista das doenças presentes em cada uma de suas unidades de
produção na Internet. Não seria a hora de pensar
para o Brasil numa maior interação entre as agroindústrias,
produtores e serviço oficial em trabalhos sanitários conjuntos?
Existem exemplos de ações desse tipo entre nós com
histórico de sucesso, como as medidas que foram recentemente tomadas
no Rio Grande do Sul para a erradicação da Doença
de Aujeszky e em Santa Catarina no programa estadual de erradicação
dessa enfermidade. Nesses, a união dos produtores, indústria,
entidades ligadas à suinocultura e uma coordenação
por parte de órgãos oficiais têm permitido uma ação
integrada eficaz, abordando o problema sistemicamente e atuando de uma
maneira realmente definitiva. Um outro exemplo positivo é a recente
iniciativa do Sindicato da Indústria de Produtos suínos
do Rio Grande do Sul na criação do Comitê de Qualidade
Industrial, mais uma vez buscando integrar atividades, buscando o progresso
da suinocultura através de uma ação conjunta.
Na edição atual, nosso artigo central apresenta uma revisão
fotográfica sobre a técnica de necropsia em suinocultura.
O estudo de alterações patológicas de animais mortos
tem sido uma ferramenta bastante negligenciada na rotina de atuação
veterinária em nosso meio, esperamos que com as informações
do nosso artigo central os colegas possam encontrar um apoio no sentido
de fomentar essa atividade, que julgamos fundamental.
Bom proveito.
David Barcellos
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