Rafael Kummer e Ricardo Pierozan

Baixo ganho de peso na fase de creche

No último mês de maio, após uma palestra realizada no oeste de Santa Catarina, um Médico Veterinário de uma Empresa Nacional de Consultoria foi procurado por um produtor gaúcho com mais de 10 anos de tradição na produção de suínos. O produtor, já não bastasse a crise da suinocultura, reclamava que há uns 3 meses a situação havia piorado. Foi acertada uma visita para a semana seguinte. A reclamação inicial era que os animais não ganhavam peso e alguns ficavam "peludos". A propriedade era de ciclo completo com 550 matrizes e estava localizada na região do Planalto Médio do Rio Grande do Sul. Na visita foram observadas algumas falhas na biosseguridade, como permissão de visitas sem troca de roupa. Ele utilizava milho próprio para a fabricação de ração e comprava farelo de soja de uma cooperativa da região. Já havia trocado o fornecedor de premix e adicionado 2 diferentes antimicrobianos nas rações dos leitões na fase de creche, porém os resultados não haviam melhorado. No setor de maternidade o veterinário observou alguns casos de artrite nos leitões.

O desmame era realizado aos 19 dias e o peso foi considerado bom. Os sinais começavam a aparecer na creche, principalmente a partir da 3ª semana de alojamento, quando se percebia um aumento da desuniformidade dos lotes. Esses sintomas se acentuavam e, segundo o responsável do setor, os animais não respondiam à medicação injetável com antimicrobianos de amplo espectro. Os animais se apresentavam deprimidos, ictéricos, com palidez cutânea e alguns apresentavam diarréia (Figura 1). O veterinário estimou em 20% os animais afetados e observou também que alguns animais na terminação (<1%) apresentavam lesões de pele, do tipo multifocal e irregulares.

Os leitões não eram vacinados para nenhuma doença e foram observados, no dia da visita, alguns sinais respiratórios. Foram necropsiados 5 animais na fase de creche e foram observados linfonodos inguinais aumentados, fígado com coloração alaranjada, rins com aumento de tamanho, úlcera gástrica, aumento de líquido na cavidade torácica, pericardite fibrinosa e manchas acinzentadas nos pulmões. Amostras da matéria-prima da ração foram enviadas para laboratório para análise de micotoxinas, mas nada foi encontrado. O exame bromatológico revelou os níveis dentro do esperado. Foram coletados materiais para exame bacteriológico e o resultado foi negativo. O exame histopatológico revelou pneumonia intersticial granulomatosa, hepatite linfocítica granulomatosa, linfadenopatia e nefrite. Foi acompanhado um abate e foi obtido um IPP de 0,45.

leitões com aspecto de refugos, fase de creche

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