Baixo ganho de peso
na fase de creche
No último mês de maio, após uma palestra realizada
no oeste de Santa Catarina, um Médico Veterinário de uma
Empresa Nacional de Consultoria foi procurado por um produtor gaúcho
com mais de 10 anos de tradição na produção
de suínos. O produtor, já não bastasse a crise da
suinocultura, reclamava que há uns 3 meses a situação
havia piorado. Foi acertada uma visita para a semana seguinte. A reclamação
inicial era que os animais não ganhavam peso e alguns ficavam "peludos".
A propriedade era de ciclo completo com 550 matrizes e estava localizada
na região do Planalto Médio do Rio Grande do Sul. Na visita
foram observadas algumas falhas na biosseguridade, como permissão
de visitas sem troca de roupa. Ele utilizava milho próprio para
a fabricação de ração e comprava farelo de
soja de uma cooperativa da região. Já havia trocado o fornecedor
de premix e adicionado 2 diferentes antimicrobianos nas rações
dos leitões na fase de creche, porém os resultados não
haviam melhorado. No setor de maternidade o veterinário observou
alguns casos de artrite nos leitões.
O desmame era realizado aos 19 dias e o peso foi considerado bom. Os sinais
começavam a aparecer na creche, principalmente a partir da 3ª
semana de alojamento, quando se percebia um aumento da desuniformidade
dos lotes. Esses sintomas se acentuavam e, segundo o responsável
do setor, os animais não respondiam à medicação
injetável com antimicrobianos de amplo espectro. Os animais se
apresentavam deprimidos, ictéricos, com palidez cutânea e
alguns apresentavam diarréia (Figura 1). O veterinário estimou
em 20% os animais afetados e observou também que alguns animais
na terminação (<1%) apresentavam lesões de pele,
do tipo multifocal e irregulares. |
| Os leitões não eram vacinados
para nenhuma doença e foram observados, no dia da visita, alguns
sinais respiratórios. Foram necropsiados 5 animais na fase de creche
e foram observados linfonodos inguinais aumentados, fígado com coloração
alaranjada, rins com aumento de tamanho, úlcera gástrica,
aumento de líquido na cavidade torácica, pericardite fibrinosa
e manchas acinzentadas nos pulmões. Amostras da matéria-prima
da ração foram enviadas para laboratório para análise
de micotoxinas, mas nada foi encontrado. O exame bromatológico revelou
os níveis dentro do esperado. Foram coletados materiais para exame
bacteriológico e o resultado foi negativo. O exame histopatológico
revelou pneumonia intersticial granulomatosa, hepatite linfocítica
granulomatosa, linfadenopatia e nefrite. Foi acompanhado um abate e foi
obtido um IPP de 0,45. |
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