Doença nervosa, relato de um caso

David E. Barcellos, Tânia Allen Coutinho

O Veterinário de uma Indústria Suinícola foi contactado no escritório da área de Fomento numa Segunda Feira pela tarde, para atender a um caso de doença que cursava com sintomatologia nervosa e mortalidade em leitões de uma unidade de terminação. Não foi possível obter, durante o contato inicial, dados precisos sobre o problema, pela má qualidade do sinal do celular. Esse era um integrado novo, que estava alojando seu segundo lote. De imediato, houve o deslocamento para a propriedade afetada. Tratava-se de terminação com 306 leitões, alojados há aproximadamente 40 dias. As instalações eram de um tipo comum para a região Sul do Brasil, com piso totalmente compacto e abertura na parte posterior da baia, para escoamento de líquidos e dejetos. Cada baia alojava 20 leitões.

O bebedouro (um por baia) era do tipo chupeta e os comedouros eram semi-automáticos, para permitir a realização da restrição alimentar. A ração era fornecida pelo integrador e era a mesma que vinha sendo usada em outras terminações, sem registro de problemas similares. Segundo o produtor, até a data do início do problema (no dia atual, pela manhã), não havia ocorrido nenhuma morte de leitão desse pavilhão e a sanidade era considerada normal. Ele não tinha observado desde o início do alojamento problemas evidentes de tosse, espirros, diarréia ou sintomatologia nervosa. Os animais vinham apresentando desenvolvimento dentro do esperado. Ao chegar ao pavilhão pela manhã, o produtor encontrou seis leitões mortos em duas baias contíguas, três em cada. Nas mesmas, havia outros cinco leitões com sintomatologia descrita por ele como "nervosa". Ele relatou também que os animais desses dois lotes estavam bastante inquietos (agitados).A seguir foi realizado o exame clínico, confirmando a presença desses sintomas, apenas nos lotes relatados.
A sintomatologia encontrada foi: apatia, incoordenação e andar em círculos. Um animal apresentou, durante o exame clínico, uma crise convulsiva que durou aproximadamente dois minutos. A seguir melhorou, mas manteve-se em decúbito, prostrado. Foi realizada uma inspeção ambiental e selecionado um leitão que se encontrava totalmente incoordenado para necropsia. A única lesão detectada foi hiperemia na região fúndica estomacal. O cérebro apresentava-se aparentemente normal. Foram coletados materiais para exames bacteriológicos, virológicos e histopatológicos. O resultado desses exames não revelou crescimento de vírus ou de bactérias patogênicas. O exame histopatológico revelou meningoencefalite eosinofílica, com a formação de bainha eosinofílica ao redor dos vasos do parênquima cortical. Qual o seu diagnóstico?
Leitão em decúbito, com tremores musculares ("movimentos de pedalagem")

Resultado

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