Leitão morto, fase de creche

O Veterinário foi chamado para analisar um aumento de mortalidade em leitões na fase de creche. A granja era de ciclo completo, com 250 matrizes. O proprietário acusou mortalidade que passou dos números históricos do plantel (em torno de 1%), para 1,7%, 2,3% e 3,5%, respectivamente, nos três últimos meses (Dezembro, Janeiro e Fevereiro).
Ainda durante o contato telefônico inicial, foi questionado sobre os sintomas mais relevantes. Não havia um padrão definido, alguns animais apresentavam diarréia antes de morrer e havia sido observada sintomatologia nervosa em raras ocasiões. Entretanto, na maioria quase que absoluta, os leitões eram encontrados mortos, sem sintomatologia prévia. O problema parecia afetar leitões em bom estado, não se relacionava diretamente com mortes de fracos ou refugos. Durante a visita, foi constatado que a creche era de excelente nível. Nesse dia, não foram detectados problemas evidentes nas áreas de ambiente, manejo ou nutrição capaz de explicar a alta mortalidade em curso. Durante o exame clínico dos leitões das creches, não foram encontrados leitões com sinais evidentes das patologias comuns a essa fase. Havia disponível para exame um leitão que havia morrido aproximadamente 1 hora antes do início da visita. Foi necropsiado. Externamente, apresentava bom estado, sem anormalidades aparentes. Internamente, apresentava ascite discreta, hepatomegalia, discreto hidrotórax e abundante hidropericárdio. O epicárdio apresentava discretas áreas esbranquiçadas nos ventrículos direito e esquerdo. Mediam 2 a 15 mm de diâmetro e se estendiam até o miocárdio.

Foram coletados e fixados em formol a 10% fragmentos de baço, fígado, coração e músculos esqueléticos (para exames histopatológicos). Foi coletado sangue diretamente do interior do coração, remetido para exames sorológicos. Foram coletados também fragmentos de baço, fígado, coração e uma alça do jejuno, refrigerados imediatamente (para exames virológicos e bacteriológicos). Os materiais foram remetidos para o laboratório. O exame histopatológico indicou miocardite com infiltração de células mononucleares, congestão vascular, edema, degeneração e necrose das fibras do miocárdio.

Resultado
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